{"title":"@kwẽ-Xerente","authors":"Elvio Juanito Marques de Oliveira Júnior","doi":"10.52426/rau.v11i2.325","DOIUrl":"https://doi.org/10.52426/rau.v11i2.325","url":null,"abstract":"O povo Akwẽ-Xerente, habitantes do cerrado brasileiro, se vê, desde a década de 60, diante de um novo cenário, o das tecnologias. No entanto, a escassez de documentação sobre a historicidade desse processo tecnológico nas aldeias culminou neste presente artigo. Para tanto, utilizou-se o método etnográfico para melhor compreensão do corpus, que busca ainda relatar com a colaboração de anciões, caciques e moradores das aldeias Salto e Porteira a apropriação das tecnologias de comunicação e informação e presença destes no ciberespaço, além de uma breve discussão sobre a “indigenização da modernidade”. Contudo, os Akwẽ, ao se apropriarem desses processos tecnológicos e ao se fazerem presentes no universo digital, ressignificam as suas tradições, paralelo à manutenção de seus elementos culturais próprios.","PeriodicalId":382963,"journal":{"name":"Revista de Antropologia da UFSCar","volume":"38 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2019-12-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"133207342","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
{"title":"Digerindo a rede","authors":"G. Falleiros","doi":"10.52426/rau.v11i2.324","DOIUrl":"https://doi.org/10.52426/rau.v11i2.324","url":null,"abstract":"A rede sociocósmica a’uwẽ-xavante manifesta aspectos (endo)canibais, como uma “teoria da digestão” e dos “modos à mesa” (palavras de Lévi-Strauss). O fora, origem do alimento, é a fonte do poder e o lugar para onde irão os mais velhos ao se tornarem antepassados, numa cadeia retroalimentar que lembra uma “garrafa de Klein”. A humanização plena de todas as pessoas e entidades, o contágio mimético total, é evitado a partir de cortes na rede, traçados não só pelo parentesco, mas também pelo jogo do paraparentesco. Entretanto, parentesco e paraparentesco não se submetem totalmente um ao outro, cada qual podendo afirmar suas próprias concepções de humanização. Argumento que, ao analisar esta rede, pode ser compreendida a forma a’uwẽ-xavante de lidar com a alteridade.","PeriodicalId":382963,"journal":{"name":"Revista de Antropologia da UFSCar","volume":"31 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2019-12-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"115207722","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
{"title":"Espíritos, corpos e cantos inimigos","authors":"E. S. Nunes","doi":"10.52426/rau.v11i2.319","DOIUrl":"https://doi.org/10.52426/rau.v11i2.319","url":null,"abstract":"Esse artigo se propõe a analisar as conjunções e disjunções entre os Karajá e os ixỹju, povos “estrangeiros”. Começo analisando a mitologia karajá para mostrar como o surgimento da humanidade é narrado como uma alter-constituição, isto é, a maneira como a condição inỹ fez-se a partir de Outros. Analiso, então, o nexo entre inỹ e ixỹju estabelecido pelo conceito de ixỹ, argumentando que, remetendo à produção de parentesco territorialmente situada, ele a um só tempo conecta e separa humanos verdadeiros e estrangeiros. Por fim, retraço brevemente as histórias de guerra e paz entre os Karajá e seus vizinhos para, depois, explorar algumas consequências da incorporação de pessoas (corpos), cantos e espíritos inimigos. O trajeto até os espíritos ixỹju é proposital, pois interessa notar, mais ou outra coisa que a origem Outra da humanidade, a ‘vertigem Outra’ que caracteriza certos aspectos de sua vida atual, sobretudo no que diz respeito ao ritual.","PeriodicalId":382963,"journal":{"name":"Revista de Antropologia da UFSCar","volume":"28 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2019-12-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"124524912","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
{"title":"Rede de histórias dos povos que deram origem ao povo Inỹ/Javaé","authors":"Ricardo Tewaxi Javaé","doi":"10.52426/rau.v11i2.308","DOIUrl":"https://doi.org/10.52426/rau.v11i2.308","url":null,"abstract":"Neste artigo apresentamos diversas narrativas que mostram as redes de relações existentes entre os diversos povos Inỹ desde o começo da história, mostrando a importância do povo Wèrè. Aborda também diversos hábitos e costumes ligados a cada um desses povos, bem como a história das guerras e do desaparecimento de alguns deles.","PeriodicalId":382963,"journal":{"name":"Revista de Antropologia da UFSCar","volume":"159 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2019-12-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"123019937","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
A. Demarchi, Odair Giraldin, Maycon Melo, Odilon Morais
{"title":"Aprsentação ao dossiê: Outras imagens do pensamento para a etnologia dos povos Jê do Brasil Central","authors":"A. Demarchi, Odair Giraldin, Maycon Melo, Odilon Morais","doi":"10.52426/rau.v11i2.306","DOIUrl":"https://doi.org/10.52426/rau.v11i2.306","url":null,"abstract":"Este dossiê tem uma história. Ele surge de encontros, amizades, contínuos debates e reflexões entre pesquisadoras e pesquisadores e, principalmente, de uma profunda reverência aos conhecimentos dos povos indígenas falantes de línguas da família linguística Jê e que habitam a área etnográfica conhecida como Brasil Central. As primeiras linhas do que hoje se concretiza nessas páginas foram traçadas em Tocantinópolis, no Estado do Tocantins, cidade localizada à margem esquerda do rio Tocantins, na divisa com o Estado do Maranhão. Não por acaso, a área do município de Tocantinópolis está sobreposta à Terra Indígena do povo Apinajé, conhecido na etnologia brasileira pelas etnografias de Curt Nimuendaju (1939), Roberto DaMatta (1976) e Odair Giraldin (2000). Foi ali, em contato com os primeiros indígenas Apinajé a adentrarem como estudantes no campus local da Universidade Federal do Tocantins, que surgiu, em 2012, o grupo de pesquisa Redes de Relações Indígenas no Brasil Central, coordenado por André Demarchi e Odilon Morais, ambos professores daquela universidade e realizando pesquisas de doutorado com povos Jê, respectivamente Mebengôkre (Kayapó) e Akwẽ (Xerente).","PeriodicalId":382963,"journal":{"name":"Revista de Antropologia da UFSCar","volume":"41 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2019-12-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"134374919","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
{"title":"“Não sou homem para estar aqui”","authors":"T. Mantovanelli","doi":"10.52426/rau.v11i2.322","DOIUrl":"https://doi.org/10.52426/rau.v11i2.322","url":null,"abstract":"O presente artigo descreve o engajamento das menire, mulheres Mẽbengôkre-Xikrin da Terra Indígena Trincheira-Bacajá em um ciclo de reuniões com representantes técnicos da empresa Norte Energia, maior concessionária da usina hidrelétrica de Belo Monte, instalada na Volta Grande do Xingu, Amazônia paraense. Interessadas na continuidade de seu projeto de extração de óleo de coco babaçu, as menire posicionaram-se frente ao corpo técnico empresarial para reivindicar suas demandas, evidenciando importantes críticas ao funcionamento burocrático das medidas de compensação do Plano Básico Ambiental Componente Indígena (PBA-CI), uma exigência dos órgãos de licenciamento ambiental para a construção e operação da hidrelétrica. A forma de engajamento das menire no ciclo de reuniões é tomada como inspiração analítica sobre a questão do par homem-mulher e sua associação com os gêneros feminino e masculino que anima a literatura etnológica sobre povos do Brasil Central. Para cumprir seu objetivo, o artigo dedica especial atenção aos esforços etnográficos e teóricos de Maybury-Lewis na coletânea por ele organizada em 1979, obra clássica aos estudos em etnologia indígena.","PeriodicalId":382963,"journal":{"name":"Revista de Antropologia da UFSCar","volume":"19 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2019-12-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"124902211","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
{"title":"história do contato e o desterro tapayuna","authors":"D. Lima","doi":"10.52426/rau.v11i2.309","DOIUrl":"https://doi.org/10.52426/rau.v11i2.309","url":null,"abstract":"Esse artigo é sobre os Tapayuna, um povo da família linguística jê, cujo território tradicional está localizado no noroeste do Mato Grosso, na região dos rios Arinos e Sangue. Em 1970, 41 sobreviventes de uma epidemia de gripe, suscitada após uma expedição da Funai, foram transferidos para o Parque Indígena do Xingu, onde viveram até meados da década de 1980. Atualmente moram nas Terras Indígenas Capoto Jarina e Wawi (MT), respectivamente dos povos Mebêngôkre e Kĩsêdjê. O artigo trata da história do contato com os não índios e o consequente genocídio e desterro a que foram submetidos. Em que pese a ação criminosa de particulares, responsáveis por dois envenenamentos contra os Tapayuna nas décadas de 1950 e 1960, e a atuação omissa e dolosa do Estado, os Tapayuna resistiram e vivem, atualmente, um processo de reemergência e fortalecimento como povo. Eles lutam por autonomia e pela retomada do território tradicional.","PeriodicalId":382963,"journal":{"name":"Revista de Antropologia da UFSCar","volume":"18 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2019-12-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"125586162","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
{"title":"Produzindo trocado","authors":"C. Raposo","doi":"10.52426/rau.v11i2.321","DOIUrl":"https://doi.org/10.52426/rau.v11i2.321","url":null,"abstract":"Esse artigo é resultado de pesquisa realizada entre os Akwẽ-Xerente, povo jê habitante do Brasil Central, cujas terras estão localizadas numa região compreendida entre o médio curso do rio Tocantins e o rio Sono. Procura-se sublinhar a relação intrínseca entre cosmologia, organização social e construção da pessoa, destacando as relações de gênero percebidas a partir do vínculo conjugal. Busca-se, ainda, considerar a maneira como reprodução e diferenciação estão implicadas nos modos akwẽ-xerente de composição da vida.","PeriodicalId":382963,"journal":{"name":"Revista de Antropologia da UFSCar","volume":"36 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2019-12-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"126066934","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
{"title":"Etnografias Jê e as plantas cultivadas","authors":"Ana Gabriela Godinho Lima","doi":"10.52426/rau.v11i2.323","DOIUrl":"https://doi.org/10.52426/rau.v11i2.323","url":null,"abstract":"O presente artigo propõe uma reflexão acerca dos saberes associados às plantas cultivadas entre os povos Jê, indissociáveis das relações de parentesco e gênero, bem como de concepções éticas, estéticas e rituais. O objetivo é desenvolver uma análise comparativa e delinear um corpo de questões em comum, sem desconsiderar, contudo, as variações e as especificidades que caracterizam os diferentes sistemas agrícolas. O artigo busca refletir sobre a dinâmica espaço-temporal e o processo de abertura da roça em suas diferentes etapas; o parentesco vegetal; as relações com espíritos e dono-mestres das plantas cultivadas; os mitos e rituais agrícolas associados aos ciclos de vidas das plantas e das pessoas; e as redes de troca que incrementam a diversidade. Considerando a importância dos conhecimentos e práticas indígenas para a conservação da agrobiodiversidade, proponho uma investigação sobre quais seriam as contribuições etnográficas dos povos Jê ao debate atual acerca dos sistemas agrícolas tradicionais.","PeriodicalId":382963,"journal":{"name":"Revista de Antropologia da UFSCar","volume":"116 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2019-12-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"123530748","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
{"title":"Espíritos demais","authors":"Odilon Rodrigues de Morais Neto","doi":"10.52426/rau.v11i2.318","DOIUrl":"https://doi.org/10.52426/rau.v11i2.318","url":null,"abstract":"Este artigo é sobre minhas conversas com Sawrepte sobre sonhos, espíritos, xamãs e xamanismo. Os relatos de iniciação ao xamanismo tratam de um outro lado da existência imanente aos seres extra-humanos que coexistem com os Akwẽ Xerente. Refletimos acerca da antropologia escrita sobre os Akwẽ (e outros povos Jê) e sobre a imagem de uma contra-antropologia que poderia ser eludida das práticas de conhecimento de Sawrepte sobre o “mundo dos espíritos”. O argumento aqui é que a vida humana existe e persiste por meio da interação com entidades não humanas descritas como espíritos-donos e parentes mortos.","PeriodicalId":382963,"journal":{"name":"Revista de Antropologia da UFSCar","volume":"32 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2019-12-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"123874472","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}