{"title":"Notas etnográficas sobre a gestão humanitária do refúgio negro na cidade de São Paulo","authors":"P.C.R. Silva","doi":"10.52426/rau.v13i1.369","DOIUrl":"https://doi.org/10.52426/rau.v13i1.369","url":null,"abstract":"As solicitações de refúgio vêm aumentando consideravelmente nos últimos anos e mobilizam diversos questionamentos, ações, recursos e sentimentos voltados à proteção dos direitos da pessoa migrante. Utilizando como fonte diversas interlocuções produzidas durante campo etnográfico realizado em uma instituição filantrópica de acolhida a imigrantes na cidade de São Paulo proponho uma reflexão acerca da gestão humanitária do refúgio negro. Em linhas gerais, sustento o argumento de que o governo humanitário torna possível a implementação, na vida cotidiana, de uma gestão racializada das populações negras solicitantes de refúgio. Nesse sentido, avalio três aspectos desta gestão: o choque de percepção do que é “ser negro” no Brasil; a centralidade da dor na gestão política do refúgio e, finalmente, a exacerbada produção narrativa que incide sobre os corpos negros através da circulação de informações entre instituições. \u0000 \u0000 \u0000","PeriodicalId":382963,"journal":{"name":"Revista de Antropologia da UFSCar","volume":"33 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2021-12-05","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"129151730","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
{"title":"Apresentação","authors":"Fabián Bruno, M. D. C. A. Petroni","doi":"10.52426/rau.v12i2.344","DOIUrl":"https://doi.org/10.52426/rau.v12i2.344","url":null,"abstract":"A antropóloga britânica Marilyn Strathern escreveu que “se no final do século XX uma pessoa buscasse propor um método de investigação por meio do qual se apreendesse acerca da complexidade da vida social, talvez desejasse inventar algo parecido com a prática etnográfica da antropologia” (2014: 345). Tempos depois, e já no século XXI, esta reflexão sobre o método permanece desafiante ao fazer antropológico. A experimentação e o desejo de invenção com as chamadas distintas “grafias” (Ingold 2011) têm sido o cerne das questões teórico-metodológicas propositivas no âmbito das pesquisas e discussões realizadas no LA’GRIMA (Laboratório Antropológico de Grafia e Imagem), vinculado ao Departamento de Antropologia-IFCH da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).","PeriodicalId":382963,"journal":{"name":"Revista de Antropologia da UFSCar","volume":"53 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2020-12-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"114295709","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
{"title":"A constituição de sujeitos frente a interpelação de “terrorista”","authors":"J. Silva","doi":"10.52426/RAU.V12I1.330","DOIUrl":"https://doi.org/10.52426/RAU.V12I1.330","url":null,"abstract":"Em pesquisa etnográfica conduzida junto a refugiados sírios entre os anos de 2017 e 2019 em cidades do estado de São Paulo, deparei-me frequentemente com narrativas de situações em que os interlocutores foram interpelados a partir da palavra “terrorista” ou de expressões correlatadas, como “homem-bomba” e “mulher-bomba”. Tais interpelações não se restringem aos sírios, mas abarcam também outros estrangeiros de origem árabe e até mesmo brasileiros muçulmanos. Neste artigo discuto esse processo de interpelação e as diversas maneiras pelas quais os sujeitos se constituem frente a ele. Para tanto, mostro como a figura do “terrorista” se constrói, no Brasil, a partir da sobreposição das categorias “árabe” e “muçulmano” e como ela pode ser acionada frente a diferentes sujeitos; apresento ainda as várias relações que os interlocutores entretém com tal interpelação, ressaltando como tais relações podem contestar ou reforçar a figura do “terrorista”.","PeriodicalId":382963,"journal":{"name":"Revista de Antropologia da UFSCar","volume":"281 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2020-06-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"115841302","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
{"title":"Para o léxico da tolerância","authors":"Delcides Marques","doi":"10.52426/RAU.V12I1.339","DOIUrl":"https://doi.org/10.52426/RAU.V12I1.339","url":null,"abstract":"O presente artigo empreenderá um esforço para compreender o uso do verbo grego anéchō, mormente traduzido como “eu sofro”, “eu suporto”, “eu tolero”. Trata-se de uma contribuição preliminar para o entendimento da recente ideia de tolerância. Procurar-se-á perceber como esse verbo foi usado entre os gregos antigos (principalmente na mitologia e na filosofia) e despontou numa versão cristã primitiva (nos escritos neotestamentários, majoritariamente paulinos). Tendo em vista, no limite, entrever tais pontos num rastro histórico do termo tolerância. Pretende-se indicar que esse termo ajudou a compor o léxico que formará a ideia de tolerância em relação ao outro.","PeriodicalId":382963,"journal":{"name":"Revista de Antropologia da UFSCar","volume":"32 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2020-06-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"124938141","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
{"title":"Maldição da Tolerância","authors":"Isabelle Stengers, Helena Santos Assunção","doi":"10.52426/RAU.V12I1.343","DOIUrl":"https://doi.org/10.52426/RAU.V12I1.343","url":null,"abstract":"Não há nada mais fácil para um moderno do que ser tolerante. Como ele não o seria? Como nós não o seríamos? Não me refiro aqui aos “outros”, a todos aqueles que exortamos às virtudes da tolerância. Eu falo de “nós”, e esse “nós” não designa um coletivo concreto ao qual deveríamos saber se pertencemos ou não, mas o conjunto dos destinatários da mensagem moderna. É a mensagem moderna - retomada de uma forma ou de outra por uma diversidade de saberes - que cria essa verdadeira palavra de ordem, atribuindo-se instantaneamente como destinatário2 esse “nós”, que escreve ou fala, que lê ou ouve: “nós” não somos como os outros, aqueles que definimos por crenças que não podemos mais compartilhar, e isso constitui nosso orgulho, mas talvez também nosso drama. De fato, a época não é para cruzadas. A palavra de ordem até se desdobra, às vezes, em uma vibração nostálgica. Tolerante é aquele, ou aquela, que mede o quão dolorosamente pagamos pela perda das ilusões, das certezas que atribuímos àqueles que pensamos que “creem”. Felizes são aqueles cuja confiança permaneceu intacta; eles habitam o lugar para onde nós, modernos, não podemos retornar exceto como caricaturas, seitas ou totalitarismos.","PeriodicalId":382963,"journal":{"name":"Revista de Antropologia da UFSCar","volume":"274 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2020-06-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"116623050","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
{"title":"Rede, híbrido, não-humano","authors":"Guilherme de Matos Floriano","doi":"10.52426/RAU.V12I1.341","DOIUrl":"https://doi.org/10.52426/RAU.V12I1.341","url":null,"abstract":"O objetivo deste artigo é apresentar uma análise, a partir dos resultados de uma pesquisa etnográfica em um Centro de Referência e Assistência Social (CRAS) de Araraquara-SP, sobre os efeitos econômicos e sociais em escala maior, do trabalho na ponta, miúdo, da agência incumbida da efetivação do Programa Bolsa Família. Entende-se que esta pesquisa se viabilizou por uma abordagem latouriana do contexto de implementação do Programa: enquanto rede híbrida. O que se procurou foi seguir o rastro dos actantes e simetrizar sua perspectiva, supondo-se tomar um caminho ainda inexplorado nas pesquisas sobre o Programa, e contribuir assim para o entendimento de sua eficácia, limites e desdobramentos políticos.","PeriodicalId":382963,"journal":{"name":"Revista de Antropologia da UFSCar","volume":"8 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2020-06-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"121312706","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
{"title":"Cuidados, bem-estar animal e técnicas de enriquecimento","authors":"Matheus Henrique Pereira da Silva","doi":"10.52426/RAU.V12I1.337","DOIUrl":"https://doi.org/10.52426/RAU.V12I1.337","url":null,"abstract":"A partir de uma etnografia realizada no Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi acerca das relações entre humanos e animais, problematizo o manejo e as práticas conservacionistas dos profissionais da fauna (biólogos, médicos veterinários e tratadores) em relação à coleção natural do local. Dessa maneira, abordo a rotina de cuidados realizados nos “bastidores” do zoológico – as distintas instalações relacionadas ao manejo das espécies –, bem como as técnicas de enriquecimento alimentar e ambiental que são realizadas com o intuito de propiciar o bem-estar dos animais, que estão sujeitos a frequentes estresses e outros problemas. Com isso, pontuo a emergência de um conjunto de práticas, técnicas e conceitos heterogêneos intrinsecamente relacionados à conservação da biodiversidade em meio urbano no zoo.","PeriodicalId":382963,"journal":{"name":"Revista de Antropologia da UFSCar","volume":"8 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2020-06-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"116758225","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
{"title":"Política da reclusão","authors":"C. Costa","doi":"10.52426/RAU.V12I1.335","DOIUrl":"https://doi.org/10.52426/RAU.V12I1.335","url":null,"abstract":"Este texto debaterá a “reclusão pubertária” masculina no Alto Xingu. A relação entre a fabricação dos corpos dos lutadores e a política alto-xinguana demonstrará como os jovens chefes são preparados para serem campeões de luta no egitsü, pois um campeão é, potencialmente, um chefe. O egitsü, ritual pós-funerário em homenagem aos chefes falecidos, é o momento de maior visibilidade no sistema, e a luta que o encerra, sua principal atração. Em oposição ao destaque dos lutadores nos rituais interétnicos encontra-se a reclusão como período de isolamento do neófito, processo dialético entre exibição pública de performances e confinamento doméstico para produção. Através da fabricação do corpo sairemos das noções patológicas, que pautaram os estudos sobre a reclusão, para associá-la a outras questões, das disputas políticas às relações cosmológicas, da noção de homenagem a de substituição, da sincronia à diacronia, passando pela proposta de entender essa preparação também por seu lado técnico e esportivo.","PeriodicalId":382963,"journal":{"name":"Revista de Antropologia da UFSCar","volume":"26 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2020-06-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"124200419","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
{"title":"“Sofrimento é mato, coração em pedaços”","authors":"M. França","doi":"10.52426/RAU.V12I1.333","DOIUrl":"https://doi.org/10.52426/RAU.V12I1.333","url":null,"abstract":"Este artigo busca discorrer sobre relações de gênero, masculinidades e performatividades no universo da música sertaneja. Proponho lançar um olhar atento a um descompasso existente entre, por um lado, discursos que incitam por meio de performances artísticas e do repertório musical certa flexibilização da chamada masculinidade hegemônica, em especial no que diz respeito ao choro e à expressão de emoções por parte de homens; por outro, performativos de gênero que contradizem tais esforços, presentes sobretudo nas sociabilidades levadas a cabo em espaços de sociabilidade sertaneja (bares, boates e shows), onde foi realizada parte significativa do trabalho de campo etnográfico. Reflito, portanto, sobre como por meio da música sertaneja se organizam atos performativos de gênero que jogam com as ficções reguladoras da ordem compulsória entre sexo, gênero e desejo proposta por Judith Butler.","PeriodicalId":382963,"journal":{"name":"Revista de Antropologia da UFSCar","volume":"423 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2020-06-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"132582580","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
{"title":"Memórias de um etnólogo: Júlio Cezar Melatti","authors":"Odair Giraldin, A. Demarchi","doi":"10.52426/rau.v11i2.328","DOIUrl":"https://doi.org/10.52426/rau.v11i2.328","url":null,"abstract":"Entrevista com Júlio Cezar Melatti","PeriodicalId":382963,"journal":{"name":"Revista de Antropologia da UFSCar","volume":"37 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2019-12-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"128754914","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}