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Abstract
Este texto debaterá a “reclusão pubertária” masculina no Alto Xingu. A relação entre a fabricação dos corpos dos lutadores e a política alto-xinguana demonstrará como os jovens chefes são preparados para serem campeões de luta no egitsü, pois um campeão é, potencialmente, um chefe. O egitsü, ritual pós-funerário em homenagem aos chefes falecidos, é o momento de maior visibilidade no sistema, e a luta que o encerra, sua principal atração. Em oposição ao destaque dos lutadores nos rituais interétnicos encontra-se a reclusão como período de isolamento do neófito, processo dialético entre exibição pública de performances e confinamento doméstico para produção. Através da fabricação do corpo sairemos das noções patológicas, que pautaram os estudos sobre a reclusão, para associá-la a outras questões, das disputas políticas às relações cosmológicas, da noção de homenagem a de substituição, da sincronia à diacronia, passando pela proposta de entender essa preparação também por seu lado técnico e esportivo.