Ana Carolina Estrela da Costa, Barbara Viggiano Rocha da Silva
{"title":"Mundos em ruínas, humanidades múltiplas, olhares Tikmũ´ũn/Maxakali para mundos possíveis","authors":"Ana Carolina Estrela da Costa, Barbara Viggiano Rocha da Silva","doi":"10.14244/rau.v14i2.425","DOIUrl":"https://doi.org/10.14244/rau.v14i2.425","url":null,"abstract":"Diante do confronto entre as lógicas de produção e consumo das relações de dominação impostas pelo capitalismo e preocupações com o \"fim do mundo\" devido a um colapso ambiental em curso, o potencial dos modos de vida indígenas para evitar o sombrio avanço da conclusão da era humana no planeta tem sido sugerido por determinados discursos. No entanto, algumas questões precisam ser consideradas. As \"boas (ou más) escolhas\" adotadas por esses povos na verdade emanam de diferenças radicais nas lógicas que relacionam \"os humanos\" e \"a natureza\". Quem são os humanos responsáveis pela sinistra era geológica atual, batizada como Antropoceno? Antes de imaginarmos um pensamento indígena como solução para o adiamento do fim do mundo, não seria o caso de examinarmos sua diversidade? É preciso questionar quais humanidades agenciam transformações em quais mundos, e colocar em perspectiva outras escalas e pontos de vista da(s) história(s) do mundo, para além de eras geológicas. Afinal, os colapsos, aniquilamentos e recomposições são realidade para muitos povos e seres submetidos a relações de exploração, abuso e extermínio. A distopia que para alguns parece se aproximar já é realidade para outros há muito tempo. Percorrendo os territórios da Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo há mais séculos do que querem reconhecer os registros fundiários nacionais, os Tikmũ’ũn, em seus corpos e cantos, circulam por mundos produzindo subjetividades, dando vida a seus territórios devastados. Este contexto etnográfico nos leva a reflexões sobre a viabilidade da universalização de um modelo único de vida e pensamento, diante de uma infindável multiplicidade de mundos possíveis. ","PeriodicalId":382963,"journal":{"name":"Revista de Antropologia da UFSCar","volume":"124 27","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2024-03-28","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"140369949","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
{"title":"etnografias e os saberes missionários sobre as alteridades timorenses","authors":"Alexandre J. de M. Fernades","doi":"10.14244/rau.v14i2.434","DOIUrl":"https://doi.org/10.14244/rau.v14i2.434","url":null,"abstract":"Esse artigo argumenta que as abordagens da antropologia acerca das etnografias missionárias partem do pressuposto de que os saberes missionários sobre as alteridades eram realizados para tornar a mensagem cristã compreensível para os não-cristãos e novos fiéis. A partir da análise dos textos presentes do periódico Seara (1949-1973) editados pela Diocese de Díli no Timor-Leste Colonial, argumenta-se que esses saberes estavam a serviço da construção de técnicas apostolares para mensagem cristã para os fiéis e as populações pagãs. Ainda que de acordo com esse modo de abordar, busca-se também especular outros interesses presentes nesses saberes missionários na expansão do cristianismo: a produção de uma padronização da atuação e da compreensão sobre as questões da Igreja Católica em níveis locais e globais e a subordinação das ações e compreensões dos missionários e fiéis em acordo com as instruções metropolitanas da Província Eclesiástica de Portugal e da Santa Sé. Assim, argumenta-se por uma compreensão dessas etnografias como mensagens institucionais da Igreja Católica que visavam não apenas converter os pagões, mas manter uma unidade hierarquizada de ação. ","PeriodicalId":382963,"journal":{"name":"Revista de Antropologia da UFSCar","volume":"27 7","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2024-03-28","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"140371781","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Oscar Wa’rãiwẽ Urebete, Eduardo Santos Gonçalves Monteiro, Maíra Taquiguthi Ribeiro
{"title":"Waradzu höimana ware õdi, a vida dos brancos é muito complicada","authors":"Oscar Wa’rãiwẽ Urebete, Eduardo Santos Gonçalves Monteiro, Maíra Taquiguthi Ribeiro","doi":"10.14244/rau.v14i2.424","DOIUrl":"https://doi.org/10.14244/rau.v14i2.424","url":null,"abstract":"O objetivo principal deste artigo é apresentar elementos de uma reflexão original a’uwẽ sobre o nexo causal que conecta o que se convencionou chamar Antropoceno e o jeito de viver não indígena. A partir dos depoimentos de quatro anciãos (ĩhi), buscaremos ressoar narrativas dessas mudanças radicais numa reflexão sobre as consequências das atitudes waradzu frente ao mundo e ao povo A’uwẽ Uptabi. Os ĩhi dizem-nos que o jeito de viver não-indígena é inadequado, que se desvia do rumo e, portanto, imprevisível, traiçoeiro e não confiável: waradzu höimanadzé ware’õdi. Nesse sentido, buscaremos circunscrever o campo semântico desta expressão, buscando reverberar a potência desestabilizadora de suas palavras e evidenciar possíveis convergências entre o discurso a’uwẽ e uma recente abordagem crítica ao conceito de Antropoceno, que desloca para o centro do debate os processos históricos de (neo)colonialismo, imperialismo e destruição e concentração de riquezas necessárias para a consolidação do sistema capitalista. ","PeriodicalId":382963,"journal":{"name":"Revista de Antropologia da UFSCar","volume":"140 21","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2024-03-28","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"140369254","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
{"title":"Dossiê Franz Boas: Etnografia e Linguagem Apresentação","authors":"D. Ramos, Karolin Obert","doi":"10.52426/rau.v14i1.405","DOIUrl":"https://doi.org/10.52426/rau.v14i1.405","url":null,"abstract":"O dossiê Franz Boas: Etnografia e Linguagem apresenta uma tradução da Introdução de Franz Boas ao Handbook of American Indian Languages (IHAIL), acompanhada por artigos que ajudam a contextualizar a obra e também esperam demonstrar que uma retomada da obra boasiana a partir de uma perspectiva crítica pode ser relevante para trabalhos interdisciplinares nos campos da Antropologia e da Linguística que se desenvolvam a partir de uma abordagem etnográfica sobre a linguagem.","PeriodicalId":382963,"journal":{"name":"Revista de Antropologia da UFSCar","volume":"67 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2023-03-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"127258658","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
{"title":"Categorias gramaticais e significação","authors":"E. Bonfim","doi":"10.52426/rau.v14i1.410","DOIUrl":"https://doi.org/10.52426/rau.v14i1.410","url":null,"abstract":"Para Franz Boas, fundador da Antropologia e da pesquisa linguística em idiomas ameríndios, o acionamento de categorias gramaticais carrega informações semânticas que apontam para as categorias de pensamento a partir das quais a língua se organiza e se singulariza. Este artigo tem como objetivo analisar as concepções mobilizadas pelas operações gramaticais envolvendo o morfema -do da língua Bakairi, pertencente à família Karib Sul. Dados relativos à formação de coletivos de animais e artefatos como flautas mediante a sufixação do morfema -do apontam para o recurso à lógica classificatória do mito, organizada em unidades de sistema denominadas por Lévi-Strauss de zooemas.","PeriodicalId":382963,"journal":{"name":"Revista de Antropologia da UFSCar","volume":"49 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2023-03-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"127423555","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
{"title":"Tesouros linguísticos escondidos nas histórias e nas conversas","authors":"Karolin Obert, Patience Epps","doi":"10.52426/rau.v14i1.409","DOIUrl":"https://doi.org/10.52426/rau.v14i1.409","url":null,"abstract":"O legado de Boas tem sido retomado na área de documentação e descrição das línguas indígenas. Um dos seus pontos centrais é deixar a língua contar a sua própria história, ou seja, permitir aos falantes falarem por si mesmos, criando um registro de fala espontânea em situações de comunicação naturais. Isso, segundo Boas, facilitaria a descoberta de estruturas e categorias gramaticais, lexicais e culturais que permaneceriam obscuras para o pesquisador caso não permita o surgimento de pontos de vistas indígenas. Tomando essa perspectiva como fio condutor para o trabalho de campo, apresentamos aqui dois estudos de casos com os povos Dâw e Hupd’äh (Naduhup), mostrando como a escolha de registros pelos próprios indígenas e o método de observação participativa apresentaram-nos categorias gramáticas e lexicais, como por exemplo um inventário de verbos de movimento estruturado na base de traços topográficos e afixos, indicando tipos de interações sociais muito inesperadas.","PeriodicalId":382963,"journal":{"name":"Revista de Antropologia da UFSCar","volume":"93 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2023-03-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"116891694","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
{"title":"Introdução ao Manual das Línguas Indígenas Americanas","authors":"Boas Franz, D. Ramos, Lúcia Ely Paiva","doi":"10.52426/rau.v14i1.406","DOIUrl":"https://doi.org/10.52426/rau.v14i1.406","url":null,"abstract":"Tradução do texto: Boas, Franz. 1911. Introduction. Handbook of American Indian Languages, vol. 1, pp. 1-83.","PeriodicalId":382963,"journal":{"name":"Revista de Antropologia da UFSCar","volume":"33 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2023-03-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"130057454","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
{"title":"Agregados orgânicos e inorgânicos na foz do rio Doce (e) em publicações científicas","authors":"E. S. J. Creado","doi":"10.52426/rau.v14i1.411","DOIUrl":"https://doi.org/10.52426/rau.v14i1.411","url":null,"abstract":"A pesquisa está sendo realizada desde 2021, e se dá junto a artigos científicos. A proposta nasceu de experiências pregressas de pesquisa e extensão, quando atingidas/os humanas/os apresentaram dúvidas sobre as possíveis consequências na saúde da presença dos metais pesados que se espalharam pelas águas do rio Doce e no Oceano Atlântico, a partir do crime-desastre da mineradora Samarco, de 2015. Essas dúvidas foram apresentadas em reuniões públicas das quais cientistas devotados à questão da biodiversidade participavam, e eles não respondiam às indagações de modo assertivo e ouviam críticas a isso. Os artigos foram analisados para se compreender essas (quase) respostas pela via do conhecimento científico, bem como se reverberavam outras preocupações de atingidas/os. O que notei foi uma profusão de agenciamentos orgânicos e inorgânicos, sem a conjugação direta dos entrelaçamentos entre as diferentes vidas, humanas e não-humanas.","PeriodicalId":382963,"journal":{"name":"Revista de Antropologia da UFSCar","volume":"1 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2023-03-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"130668870","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
{"title":"Linguística silenciada","authors":"D. Ramos","doi":"10.52426/rau.v14i1.407","DOIUrl":"https://doi.org/10.52426/rau.v14i1.407","url":null,"abstract":"A introdução de Franz Boas ao Handbook of American Indian Languages, publicada em 1911, constitui um trabalho fundamental tanto para o campo da linguística quanto da antropologia. Apesar da importância da obra, a introdução ao HAIL permaneceu sem tradução até o momento, estando a contribuição de Boas para o campo dos estudos da linguagem excluída dos currículos de Ciências Sociais e Linguística no Brasil. No presente artigo, busco refletir sobre o porquê desse silenciamento que fez com que a perspectiva etnográfica, contextual e holística boasiana se mantivesse desconhecida e afastada dos processos de constituição desses campos de saber no Brasil.","PeriodicalId":382963,"journal":{"name":"Revista de Antropologia da UFSCar","volume":"69 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2023-03-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"127147067","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
{"title":"“Un perro negro así grandote”.","authors":"Leonardo M. Anconatani","doi":"10.52426/rau.v14i1.413","DOIUrl":"https://doi.org/10.52426/rau.v14i1.413","url":null,"abstract":"Este artigo trata do lobison, um particular existente no cosmos dos criollos do leste da província de Formosa, Argentina. Bem conhecido entre essas populações rurais e suburbanas de raízes hispano-guranis, o lobison criollo parece ser uma doença curiosa. Ora, tendo em conta que existem poucos trabalhos etnográficos sobre este existente e que temos uma bibliografia profusa em que é abordado a partir de diferentes disciplinas, propõese aquí – com base em dados recolhidos em um longo trabalho de campo entre os crioulos locais – descrever e estudar o lobison criollo em perspectiva com vários lobisomens e homem lobo documentados na Europa e na América em diferentes fontes de referência para desvendar em que medida o lobison crillo ultrapassa a noção mito-histórica folclórica, se é uma experiência religiosa, uma patologia, tanto ou tudo de uma vez.","PeriodicalId":382963,"journal":{"name":"Revista de Antropologia da UFSCar","volume":"52 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2023-03-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"125143829","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}