{"title":"“Le Portugal Gastronomique” e a exposição internacional de Paris de 1937","authors":"Patrícia De Gomensoro","doi":"10.14195/2976-0232_1_9","DOIUrl":"https://doi.org/10.14195/2976-0232_1_9","url":null,"abstract":"\u0000Em 1937, o Secretariado da Propaganda Nacional do governo Salazar editou um folheto intitulado Le Portugal gastronomique. Produzido para distribuição na Exposição Internacional de Paris daquele ano, trazia uma “digressão” do escritor Albino Forjaz de Sampaio que visava atrair turistas a Portugal, pela divulgação de suas especialidades culinárias. Neste artigo, apresenta-se uma análise do documento, cujo objetivo foi perceber seus possíveis contributos para a afirmação de uma identidade culinária portuguesa, na época. Trata-se de um estudo de caso, com abordagem descritiva e exploratória e recurso ao levantamento bibliográfico com vistas ao seu enquadramento histórico e cultural. Na primeira metade do artigo, atentamos para o documento enquanto objeto e para o seu conteúdo textual. Na segunda metade, buscamos compreender a relevância da peça, enfocando a identificação comida-lugar que ela subscreve e considerando o contexto político nacional e o cenário gastronómico internacional em que estava inserida. Concluímos que o documento permite-nos observar um processo de codificação culinária informado pela gramática gastronómica sua contemporânea, ao mesmo tempo em que ecoa uma dinâmica de construção identitária que não era exclusiva a Portugal. \u0000","PeriodicalId":517062,"journal":{"name":"DIAITA: Food - Heritage","volume":"56 15","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2024-07-25","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"141805463","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
{"title":"O bacalhau na mesa do povo em Portugal na Época Moderna","authors":"Ana Maria Ramalho Proserpio","doi":"10.14195/2976-0232_1_8","DOIUrl":"https://doi.org/10.14195/2976-0232_1_8","url":null,"abstract":"O presente artigo tem como objetivo dar a conhecer a relevância do bacalhau nas mesas mais humildes, desde o início da sua pesca pelos portugueses na Época Moderna (finais do século XV e XVI). Procurou-se, com o auxílio de fontes documentais coevas, atestar da sua importância no seio deste grupo social, analisando as referências históricas e literárias que lhe são feitas, para, depois de certificada a sua importância, procurar as razões dessa apetência que se revelou sempre em crescendo, mesmo quando os portugueses deixaram de pescar o bacalhau, passando a comprá-lo aos estrangeiros, em meados do século XVII. Os resultados da nossa análise permitiram-nos concluir que este consumo se deve não só ao seu preço acessível (como era também o da sardinha), mas igualmente à grande importância dada na época aos interditos alimentares preconizados pela religião católica, que ditava vários dias de abstinência por ano, em particular na Quaresma, momento em que o consumo de carnes era tido como pecado grave e condenável aos olhos de toda a sociedade. Interrogámo-nos, também, sobre a conotação negativa que na época este pescado detinha junto dos grupos sociais privilegiados, frequentemente aludida nas fontes. Investigaram-se as razões para tal, tendo-se verificado que, na sua base, estava a associação desse pescado ao povo, a que se somava o facto de estar ligado aos dias de abstinência (que apelavam ao sacrifício e à privação, tão indesejados entre os mais privilegiados). Também o facto de não ser um pescado consumido fresco, estado em que as elites, já desde a Antiguidade Clássica, mais o valorizavam e apreciavam, deverá ter determinado a conotação do bacalhau como um bem alimentar representativo dos grupos sociais mais humildes.","PeriodicalId":517062,"journal":{"name":"DIAITA: Food - Heritage","volume":"80 23","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2024-06-04","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"141268133","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
{"title":"A contemporaneidade alimentar","authors":"Jesús Contreras","doi":"10.14195/2976-0232_1_7","DOIUrl":"https://doi.org/10.14195/2976-0232_1_7","url":null,"abstract":"Atualmente as dinâmicas alimentares situam-se em polos aparentemente opostos: por um lado, estribam-se no plano da inovação (novos alimentos criados com recurso à tecnologia) e, por outro, no plano da conservação (tradição, património…). Esta realidade é atestada linguisticamente pela emergência de vários termos criados para designar os alimentos de forma mais ou menos técnica e precisa ou menos conceptual e imprecisa, além da polissemia que já acarretam. No presente artigo é justamente dos termos polissémicos que nos ocuparemos, escolhendo da longa lista disponível – pela sua recorrência e valor semântico – as expressões tradicional (patrimonial, com o sentido “de sempre”, “de verdade”, “de antigamente”, “do tempo da avó” …) e de proximidade (local, “daqui”, “autóctone”, “da terra”, “do quilómetro 0”, “nosso”, “do povo” …). Apesar da ambiguidade e imprecisão terminológica que encerram, aos ditos produtos “tradicionais”, “locais” e “de proximidade” são atribuídos apenas aspetos positivos. Tal predicação deve ser considerada como reflexo de uma vontade de fazer frente à globalização e homogeneização consideradas excessivas, na medida em que a produção intensiva instaurou uma ruptura fundamental das relações dos seres humanos com o meio, potenciando ameaças que comprometem a sustentabilidade do planeta.","PeriodicalId":517062,"journal":{"name":"DIAITA: Food - Heritage","volume":"1 3","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2024-05-24","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"141100318","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
{"title":"“O melhor e mais nobre de todos os legumes”","authors":"Dina Fernanda Ferreira Sousa","doi":"10.14195/2976-0232_1_6","DOIUrl":"https://doi.org/10.14195/2976-0232_1_6","url":null,"abstract":"O arroz é um dos principais alimentos do mundo atual e as vantagens do seu consumo são inúmeras. A sua presença na mesa teve um longo percurso, foi ganhando estatuto, passando a ser assídua e apreciada nos cardápios de vários grupos sociais. Cedo se percebe que físicos e cirurgiões descobrem as suas virtudes e benefícios, integrando-o em tratados de saúde (exemplo Arnaldo de Vilanova, século XIV; Francisco da Fonseca Henriques, século XVIII). Desde o século XVI que o encontramos, de forma clara, em hospitais e enfermarias de conventos masculinos e femininos. O mesmo aconteceu na composição da dieta dos enfermos do Hospital de Todos os Santos de Lisboa (1504), onde o arroz era ministrado. Esta prática teve continuidade, constatando-se, inclusive, um envolvimento da Coroa no incentivo ao seu consumo hospitalar. Ao longo dos tempos, o arroz foi usado no tratamento de úlceras, cálculo renal, problemas gastrointestinais e nos casos de cólera. Por alturas de 1856, vários surtos avassalam o país e nessas zonas epidémicas, complementava-se o tratamento químico com uma alimentação cuidada, em que se aconselhava a canja ou os caldos de arroz. Apesar das sucessivas resistências ao seu cultivo, em virtude das febres palúdicas que ocasionava, o arroz revelou-se um caso de sucesso que permaneceu até aos nossos dias. Um prato de festa, mas também um prato terapêutico.","PeriodicalId":517062,"journal":{"name":"DIAITA: Food - Heritage","volume":"2 4","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2024-05-24","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"141101341","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Alessandra Tereza Mansur Silva, Roberta Barros Meira
{"title":"O patrimônio alimentar e as memórias afetivas na literatura de Carmézia Emiliano Macuxi e do Povo Zo’é: a mandioca na mesa ancestral dos povos indígenas","authors":"Alessandra Tereza Mansur Silva, Roberta Barros Meira","doi":"10.14195/2976-0232_1_4","DOIUrl":"https://doi.org/10.14195/2976-0232_1_4","url":null,"abstract":"As narrativas pictóricas de Carmézia Emiliano documentam a paisagem cultural e o patrimônio alimentar do povo macuxi, com base nas memórias afetivas do cotidiano indígena. A comunidade macuxi está localizada na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, no extremo norte de Roraima, Brasil, no bioma amazônico. As literaturas indígenas podem ser pensadas como fontes documentais que expressam o dia a dia de diversas comunidades. Este artigo analisa as práticas alimentares do povo macuxi de acordo com a literatura indígena A árvore da vida, de Carmézia Emiliano, tecendo um diálogo com a literatura indígena Eremi’u Rupa (Lugar de minha comida), do povo Zo’é. O povo Zo’é pertence a uma pequena comunidade do norte do Pará, no Brasil, e é considerado um dos últimos grupos intactos de contato na Amazônia. Ambos os povos têm a mandioca como elemento central de sua dieta, e é por meio da mandioca que os saberes e os fazeres são colocados nas mesas artísticas, no centro da aldeia. Na literatura A árvore da vida foram analisadas três obras: Damurida, As índias preparando pajuaru, e Artesanato. Na literatura Eremi’u Rupa se analisou a fala de Kubi’euhu, jovem liderança, no desenho U’i Apoha (Fazendo farinha), que retrata as práticas alimentares do Povo Zo’é.","PeriodicalId":517062,"journal":{"name":"DIAITA: Food - Heritage","volume":"121 18","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2024-03-26","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"140378845","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
{"title":"Pereira, Ana Marques e Queiroz, Álvaro Teixeira de, Receitas particulares e curiosas. Manuscritos do século XIX da família Coelho Villasboas. Transcrição dos manuscritos Ana Marques Pereira, revisão Carlos A. Pereira. Lisboa: Ficta Editora, 2023. 255 pp. com ilustrações. ISBN 978-989-99714-9-3","authors":"Ana Isabel Buescu","doi":"10.14195/2976-0232_1_3","DOIUrl":"https://doi.org/10.14195/2976-0232_1_3","url":null,"abstract":"","PeriodicalId":517062,"journal":{"name":"DIAITA: Food - Heritage","volume":"108 52","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2024-03-26","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"140379585","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
{"title":"Museums’ contribution to the notion of food heritagisation","authors":"Anna Insa Vermehren, Jonas Walsøe","doi":"10.14195/2976-0232_1_5","DOIUrl":"https://doi.org/10.14195/2976-0232_1_5","url":null,"abstract":"In this paper the authors explore how various agents – such as museums, destination companies or small businesses – have actively contributed to food heritagisation on the Lofoten Islands in Northern Norway. By examining the thematic elements and storylines that these agents convey to a broad audience, and by considering their role in the tourism sector, we assert that their collaboration serves as the driving force for preserving and promoting culinary traditions. We specifically focus on the significance of museums as pivotal institutions in shaping identity. We employ the concept of food heritagisation and test it on the Lofoten Islands as our primary example.Our findings offer an analysis of the challenges and opportunities faced by agents who contribute to food heritagisation on the Lofoten Islands. Moreover, we argue that museums, in conjunction with other local agents, are playing an increasingly influential role in the process of food heritagisation particularly in regions with high tourism. Ultimately, we conclude that the heritagisation of food on the Lofoten Islands represents an overall positive step towards fostering more sustainable and innovative forms of tourism.\u0000In this paper we explore how museums have contributed to food heritagisation in the region by looking at the themes and storylines that museums communicate to a wide public, and by considering the role they play in the tourism sector. The findings provide an analysis of challenges and opportunities for cultural organisations who contribute to food heritagisation. We look at the risks for producers and consumers and pay attention to opportunities, arguing that the heritagisation of food on the Lofoten Islands provides an overall positive move towards more sustainable and innovative tourism.","PeriodicalId":517062,"journal":{"name":"DIAITA: Food - Heritage","volume":"75 2","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2024-03-26","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"140377990","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
{"title":"Natureza-Morta, Simbologia Viva: Di Cavalcanti e a Representação dos Alimentos na Pintura","authors":"Cinthia Elizabet Otto Marques","doi":"10.14195/2976-0232_2","DOIUrl":"https://doi.org/10.14195/2976-0232_2","url":null,"abstract":"A investigação das técnicas de representação permitiu a incorporação dos alimentos na pintura, disseminando os sentidos que a prática alimentar causou no homem e como a arte foi se modificando ao longo da história. A natureza-morta surge no século XVI como um género decorativo propiciador de reflexões acerca da efemeridade humana, das breves aparências e dos prazeres finitos. Com o advento da Modernidade, novos métodos foram incorporados nas telas. No Brasil, a rutura com a estética que era vigente influenciou diversos artistas, dentre eles Emiliano Di Cavalcanti (1897-1976). Neste artigo, pretende-se verificar o valor simbólico dos alimentos na natureza-morta do pintor brasileiro.","PeriodicalId":517062,"journal":{"name":"DIAITA: Food - Heritage","volume":"45 4","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2024-02-26","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"140431269","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
{"title":"Sung, Drawn and Quartered: The Roman Ideogram of Bread – Part 1","authors":"Bunny Waring","doi":"10.14195/2976-0232_1_1","DOIUrl":"https://doi.org/10.14195/2976-0232_1_1","url":null,"abstract":"When duplicated, the single icon of a monument, deity, or object, could recall entire narratives of divine intervention, great ancestral feats, and desirable ‘Roman’ attributes. The common, round, and quartered loaf of wheat-bread was produced and eaten by all echelons of Roman society. Despite the fundamentality of this segmented loaf to the daily life, industry, and economy of Rome, its imbuement with ideogrammic qualities of social balance and stability, have yet to be explored. Through select case studies of literary and archaeological evidence this paper will explore the allegorical nature of bread beyond dietetics in two parts: In Part 1 I provide case studies of bread use in different literary genres of ancient Poetry, Historiography, Satire, Biography and Prose, discussing the thematic tropes in which bread appears in Roman narratives. In Part 2 I investigate how these metaphoric characteristics and themes translated visually in the mosaics, frescos, graffiti, and monuments of public and private spaces. I conclude that the panis quadratus was more than an economic and accessible product, and became an ideogram of the social cohesion fundamental to Rome’s Empire; specifically, the circular connections between the natural, mortal and immortal worlds.","PeriodicalId":517062,"journal":{"name":"DIAITA: Food - Heritage","volume":"54 3","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2024-02-08","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"139895309","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}