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Abstract
É bem sabido que a noção de passeidade do passado é uma ideia central que sustenta a visão de mundo historicista. Recentemente, no entanto, a passeidade do passado se tornou uma grande preocupação acadêmica e política. Contra o pano de fundo de uma crescente atenção transnacional por memória e injustiça histórica, muitos comentadores notaram uma diluição da distinção entre passado e presente e uma crise da passeidade historicista. Embora eu certamente não concordo que nós podemos simplesmente nos livrar inteiramente da noção de passeidade do passado, eu defendo um repensar radical. Tal repensar pode nos ajudar a nos reengajar criticamente com o historicismo como uma prática que pode ser emancipatória e também opressiva. Esse repensar pode também permitir uma análise mais nuançada sobre alguns importantes desafios políticos, incluindo aqueles relacionados à memória e a assim chamada política retrospectiva. Na primeira parte deste artigo, eu discuto como a noção historicista de passeidade tem sido crescentemente posta em questão. Na segunda parte do texto, apresento algumas reflexões sobre como repensar criticamente a passeidade do passado.