{"title":"O Trabalho sobre si Mesmo: reflexões sobre o legado de Wittgenstein para a filosofia da arte e a educação artística","authors":"Guilherme Mautone","doi":"10.1590/2175-6236106079","DOIUrl":null,"url":null,"abstract":"O presente texto discute a filosofia tardia de Wittgenstein. Tentaremos estabelecer os seguintes pontos: (A) A filosofia tardia de Wittgenstein e vista por Morris Weitz como uma oportunidade de desenvolvimento de novas ideias na estetica e na filosofia da arte, embora Wittgenstein nao tenha feito esses desenvolvimentos. (B) A interpretacao de Weitz sobre Wittgenstein dispara um debate sobre os aspectos definicionais concernentes aos campos mencionados. (C) Esse debate e, ainda hoje, vivo e continuado e um de seus protagonistas mais recentes e Noel Carroll. (D) A proposta metodologica de identificacao de arte sem definicoes essenciais de Carroll e, em certo sentido, uma resposta relevante a outras abordagens no campo, especial a weitziana. (E) Porque a abordagem de Carroll evoca a identificacao de arte como algo orientado pela linguagem, pela critica e pela construcao de narrativas, pelo contato com outros, etc., sua abordagem parece representar um retorno as ideias originais de Wittgenstein; especialmente a de critica de arte como algo dependente da apreciacao artistica e de um “trabalho sobre si mesmo” - no sentido de que a apreciacao artistica requer um trabalho sobre nossa propria percepcao e crenca. Por fim, nossa hipotese e que esse retorno a Wittgenstein feito por Carroll evoca tambem a ideia de que a educacao em arte e, consequentemente, um processo de revisitacao das proprias percepcoes e crencas por meio de um encontro com a historia da arte, da cultura, dos contextos concretos de uso da linguagem, etc.; coisas que representam uma instância de radical alteridade.","PeriodicalId":37091,"journal":{"name":"Educacao and Realidade","volume":"45 1","pages":""},"PeriodicalIF":0.0000,"publicationDate":"2020-11-03","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":"0","resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":null,"PeriodicalName":"Educacao and Realidade","FirstCategoryId":"1085","ListUrlMain":"https://doi.org/10.1590/2175-6236106079","RegionNum":0,"RegionCategory":null,"ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":null,"EPubDate":"","PubModel":"","JCR":"Q3","JCRName":"Arts and Humanities","Score":null,"Total":0}
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Abstract
O presente texto discute a filosofia tardia de Wittgenstein. Tentaremos estabelecer os seguintes pontos: (A) A filosofia tardia de Wittgenstein e vista por Morris Weitz como uma oportunidade de desenvolvimento de novas ideias na estetica e na filosofia da arte, embora Wittgenstein nao tenha feito esses desenvolvimentos. (B) A interpretacao de Weitz sobre Wittgenstein dispara um debate sobre os aspectos definicionais concernentes aos campos mencionados. (C) Esse debate e, ainda hoje, vivo e continuado e um de seus protagonistas mais recentes e Noel Carroll. (D) A proposta metodologica de identificacao de arte sem definicoes essenciais de Carroll e, em certo sentido, uma resposta relevante a outras abordagens no campo, especial a weitziana. (E) Porque a abordagem de Carroll evoca a identificacao de arte como algo orientado pela linguagem, pela critica e pela construcao de narrativas, pelo contato com outros, etc., sua abordagem parece representar um retorno as ideias originais de Wittgenstein; especialmente a de critica de arte como algo dependente da apreciacao artistica e de um “trabalho sobre si mesmo” - no sentido de que a apreciacao artistica requer um trabalho sobre nossa propria percepcao e crenca. Por fim, nossa hipotese e que esse retorno a Wittgenstein feito por Carroll evoca tambem a ideia de que a educacao em arte e, consequentemente, um processo de revisitacao das proprias percepcoes e crencas por meio de um encontro com a historia da arte, da cultura, dos contextos concretos de uso da linguagem, etc.; coisas que representam uma instância de radical alteridade.