{"title":"LIMITES DA SUBJETIVIDADE ADMINISTRADA: RELAÇÕES ENTRE O PRECONCEITO E O NARCISISMO","authors":"P. O. Rodrigues, Kety Valéria Simões Franciscatti","doi":"10.31072/rcf.v14i1.1271","DOIUrl":null,"url":null,"abstract":"Este artigo, de natureza teórica, investiga os elementos objetivos e subjetivos presentes na constituição e expressão do preconceito, e sua relação com o narcisismo. De acordo com Horkheimer e Adorno, o preconceito é tanto um fenômeno social quanto psicológico: fundado nos obstáculos objetivos à formação do indivíduo, manifesta-se como marcas subjetivas do que não se formou, sedimentos que atuam como necessidades irracionais dos indivíduos pseudoformados. A relação do indivíduo predisposto ao preconceito com o objeto é mediada pela dimensão pulsional reprimida por uma estrutura social injusta e pelos mecanismos de defesa do ego. Conforme as análises empreendidas, quanto mais a cultura intensifica o medo e o desamparo, maior é a ameaça sentida pelo indivíduo, nesse processo, mais libido é retirada dos objetos, mais intenso os mecanismos de defesa, e maior o seu narcisismo. Com o narcisismo acentuado, o indivíduo tem dificuldade de entrar em contato com o que julga ser diferente, projetando no objeto aquilo que ele não consegue elaborar sobre si mesmo. Esse processo torna-se mais intenso nas sociedades industriais, uma vez ela produz uma regressão acentuada na consciência do indivíduo, fortalecendo a adaptação a valores sociais totalitários e a identificação deste com a psicologia de massas própria do fascismo. Tal dinâmica vêm obstando cada vez mais a possiblidade do indivíduo refletir sobre a violência que ele reforça e perpetua. Conclui-se que o narcisismo desempenha papel fundamental em todos estes processos: por participar de todos os mecanismos de defesa e interferir na relação sujeito/objeto (na apreensão/reflexão da realidade pelo indivíduo), obsta o contado do indivíduo consigo mesmo e com o outro, impossibilitando, assim, a alteridade.","PeriodicalId":41098,"journal":{"name":"Revista Cientifica da Faculdade de Educacao e Meio Ambiente","volume":" ","pages":""},"PeriodicalIF":0.1000,"publicationDate":"2023-05-26","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":"0","resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":null,"PeriodicalName":"Revista Cientifica da Faculdade de Educacao e Meio Ambiente","FirstCategoryId":"1085","ListUrlMain":"https://doi.org/10.31072/rcf.v14i1.1271","RegionNum":0,"RegionCategory":null,"ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":null,"EPubDate":"","PubModel":"","JCR":"Q4","JCRName":"SOCIAL SCIENCES, INTERDISCIPLINARY","Score":null,"Total":0}
引用次数: 0
Abstract
Este artigo, de natureza teórica, investiga os elementos objetivos e subjetivos presentes na constituição e expressão do preconceito, e sua relação com o narcisismo. De acordo com Horkheimer e Adorno, o preconceito é tanto um fenômeno social quanto psicológico: fundado nos obstáculos objetivos à formação do indivíduo, manifesta-se como marcas subjetivas do que não se formou, sedimentos que atuam como necessidades irracionais dos indivíduos pseudoformados. A relação do indivíduo predisposto ao preconceito com o objeto é mediada pela dimensão pulsional reprimida por uma estrutura social injusta e pelos mecanismos de defesa do ego. Conforme as análises empreendidas, quanto mais a cultura intensifica o medo e o desamparo, maior é a ameaça sentida pelo indivíduo, nesse processo, mais libido é retirada dos objetos, mais intenso os mecanismos de defesa, e maior o seu narcisismo. Com o narcisismo acentuado, o indivíduo tem dificuldade de entrar em contato com o que julga ser diferente, projetando no objeto aquilo que ele não consegue elaborar sobre si mesmo. Esse processo torna-se mais intenso nas sociedades industriais, uma vez ela produz uma regressão acentuada na consciência do indivíduo, fortalecendo a adaptação a valores sociais totalitários e a identificação deste com a psicologia de massas própria do fascismo. Tal dinâmica vêm obstando cada vez mais a possiblidade do indivíduo refletir sobre a violência que ele reforça e perpetua. Conclui-se que o narcisismo desempenha papel fundamental em todos estes processos: por participar de todos os mecanismos de defesa e interferir na relação sujeito/objeto (na apreensão/reflexão da realidade pelo indivíduo), obsta o contado do indivíduo consigo mesmo e com o outro, impossibilitando, assim, a alteridade.