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Abstract
Este artigo faz um diagnóstico da emolduração da cidade do Rio de Janeiro na escrita de Nelson Rodrigues como referência do pecado, revelando toda a fissura da modernidade no Brasil republicano. Nesse contexto, os valores da família carioca estão em processo de reformulação frente às mudanças dos anos dourados em contraposição à belle époque. Desse processo, emergem conflitos e problematizações nos espaços urbanos, os quais Nelson Rodrigues absorveu ou seja, o que se esperava dos habitantes da urbe pulsante e o que realmente se praticava nos ambientes de sociabilidades. Ainda é perceptível, nesse universo, um clima de intensa reconfiguração da cultura urbana moderna, o que ocasiona embates na esfera privada e atinge a esfera pública. Por fim, resta evidente que as fissuras do projeto de modernidade são sintomas de inconformismo do escritor no presente e de sua leitura íntima da cidade enquanto expiação do pecado.