{"title":"Reavaliando a etimologia de abacaxi a partir de novos dados histórico-filológicos","authors":"B. Maroneze","doi":"10.11606/ISSN.2176-9419.V22IESPECIALP205-215","DOIUrl":null,"url":null,"abstract":"A hipótese etimológica consensual para abacaxi é que esta unidade lexical se origina do tupi, pela junção dos elementos yvá “fruta” e katĩ “que recende”, “que exala cheiro”. No presente artigo, essa hipótese é reavaliada a partir de dados de atestações anteriores desta unidade lexical. Inicialmente, apresentam-se dados lexicográficos com descrições etimológicas (seção 2); em seguida, avaliam-se as transformações fonético-fonológicas implicadas pela hipótese consensual, que levam à conclusão de que se trata de hipótese controversa (seção 3). Na seção 4, apresentam-se dados histórico-filológicos que mostram que a unidade lexical abacaxi designou um povo indígena, um rio e uma missão jesuítica, no mínimo um século antes de passar a designar uma fruta. Dessa forma, torna-se incoerente supor que uma unidade lexical que se referia a um povo pudesse ter como étimo “fruta que recende”. Por fim, conclui-se que a hipótese etimológica consensual deve ser tratada como controversa e que uma nova hipótese etimológica deve ser buscada não para o nome de uma fruta, mas sim para o nome de um povo indígena.","PeriodicalId":30297,"journal":{"name":"Filologia e Linguistica Portuguesa","volume":" ","pages":""},"PeriodicalIF":0.0000,"publicationDate":"2020-12-22","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":"0","resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":null,"PeriodicalName":"Filologia e Linguistica Portuguesa","FirstCategoryId":"1085","ListUrlMain":"https://doi.org/10.11606/ISSN.2176-9419.V22IESPECIALP205-215","RegionNum":0,"RegionCategory":null,"ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":null,"EPubDate":"","PubModel":"","JCR":"","JCRName":"","Score":null,"Total":0}
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Abstract
A hipótese etimológica consensual para abacaxi é que esta unidade lexical se origina do tupi, pela junção dos elementos yvá “fruta” e katĩ “que recende”, “que exala cheiro”. No presente artigo, essa hipótese é reavaliada a partir de dados de atestações anteriores desta unidade lexical. Inicialmente, apresentam-se dados lexicográficos com descrições etimológicas (seção 2); em seguida, avaliam-se as transformações fonético-fonológicas implicadas pela hipótese consensual, que levam à conclusão de que se trata de hipótese controversa (seção 3). Na seção 4, apresentam-se dados histórico-filológicos que mostram que a unidade lexical abacaxi designou um povo indígena, um rio e uma missão jesuítica, no mínimo um século antes de passar a designar uma fruta. Dessa forma, torna-se incoerente supor que uma unidade lexical que se referia a um povo pudesse ter como étimo “fruta que recende”. Por fim, conclui-se que a hipótese etimológica consensual deve ser tratada como controversa e que uma nova hipótese etimológica deve ser buscada não para o nome de uma fruta, mas sim para o nome de um povo indígena.