Renata Vitória Dos Santos BORBA, Cides Guilherme Dos Santos NETO, Alexandre Pedreira DA PAIXÃO, Gustavo Assunção SOARES, Nathália Santos DIAS, Maria Eduarda Freire DOS SANTOS, Milena Magalhães ALELUIA
{"title":"ANÁLISE DO PERFIL CLÍNICO E SOCIODEMOGRÁFICO DE PACIENTES COM ANEMIA FALCIFORME E ÚLCERA DE PERNA NO SUL DA BAHIA","authors":"Renata Vitória Dos Santos BORBA, Cides Guilherme Dos Santos NETO, Alexandre Pedreira DA PAIXÃO, Gustavo Assunção SOARES, Nathália Santos DIAS, Maria Eduarda Freire DOS SANTOS, Milena Magalhães ALELUIA","doi":"10.1016/j.htct.2026.106612","DOIUrl":null,"url":null,"abstract":"<div><div>A anemia falciforme integra o grupo das doenças falciformes, condições hereditárias decorrentes de uma mutação no gene da β-globina, que resulta na substituição do ácido glutâmico pela valina. Essa alteração leva à formação da hemoglobina S (HbS), que, em condições de desoxigenação, pode polimerizar e levar a falcização das hemácias. Clinicamente, os pacientes apresentam anemia hemolítica crônica, crises dolorosas vaso-oclusivas, fadiga, suscetibilidade a infecções e outras complicações. O estudo objetiva analisar o perfil clínico e sociodemográfico de pacientes com doença falciforme (DF), caracteriza as úlceras de perna e as abordagens terapêuticas utilizadas. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), sob o CAAE nº 47456021.4.0000.5526. Participaram do estudo 55 adultos e crianças com diagnóstico de DF, acompanhados pelo Centro de Referência em Doença Falciforme de Itabuna (CERDOFI) e pelo Programa de Doença Falciforme de Ilhéus (PRODOFI). Entre os participantes, 13 apresentavam úlceras de perna, enquanto 42 não possuíam até o momento da pesquisa. Entre os pacientes com úlceras, observou-se predomínio do sexo masculino, correspondente a 60% dos casos. A idade variou entre 20 e 51 anos, indicando maior ocorrência entre adultos jovens e indivíduos de meia-idade. Todos os participantes se autodeclararam negros. Quanto à escolaridade, 60% possuíam formação entre o ensino fundamental II completo e o ensino médio incompleto. Em relação à situação ocupacional, todos relataram ausência de vínculo empregatício. Além disso, 60% apresentavam renda per capita de até um salário-mínimo, enquanto 40% relataram renda inferior a um salário mínimo, apontando vulnerabilidade socioeconômica. A idade ao diagnóstico apresentou ampla variação, desde os seis meses de vida até os 25 anos. Todos os pacientes relataram a ocorrência de crises vaso-oclusivas, sendo que 40% apresentaram oito ou mais episódios. A utilização de hidroxiureia foi relatada por 100% dos participantes avaliados. Quanto às características das úlceras de perna, 80% apresentavam lesões bilaterais, enquanto um paciente possuía lesão apenas no membro inferior esquerdo. O surgimento da primeira úlcera ocorreu precocemente, entre 9 e 20 anos, em 80% dos casos. Entre os possíveis fatores desencadeantes, 40% dos pacientes relataram coceira ou prurido e outros 40%, a formação de bolhas. As lesões apresentaram duração variável, entre um mês e 38 anos, fator de elevada cronicidade. Também foram observadas recorrências, com registro de até três episódios no mesmo membro. Em relação ao tratamento tópico, 60% dos pacientes utilizavam terapia compressiva. Antimicrobianos e antissépticos estavam presentes em 60% dos tratamentos, enquanto 40% utilizavam produtos com propriedades hidratantes e cicatrizantes. Outras abordagens, como alginato e papaína, também foram relatadas. Conclui-se que os participantes apresentavam elevado grau de vulnerabilidade socioeconômica, evidenciado pela ausência de vínculo empregatício, baixa renda per capita e reduzido nível de escolaridade. Tais fatores podem agravar as limitações físicas e psicossociais associadas à doença. Além disso, a persistência de crises dolorosas e episódios vaso-oclusivos, mesmo com o acompanhamento médico e tratamento contínuo, reforça a necessidade de assistência multidisciplinar e atualização dos protocolos terapêuticos destinados às pessoas com doença falciforme e úlceras de perna.</div></div><div>A anemia falciforme integra o grupo das doenças falciformes, condições hereditárias decorrentes de uma mutação no gene da β-globina, que resulta na substituição do ácido glutâmico pela valina. Essa alteração leva à formação da hemoglobina S (HbS), que, em condições de desoxigenação, pode polimerizar e levar a falcização das hemácias. Clinicamente, os pacientes apresentam anemia hemolítica crônica, crises dolorosas vaso-oclusivas, fadiga, suscetibilidade a infecções e outras complicações. O estudo objetiva analisar o perfil clínico e sociodemográfico de pacientes com doença falciforme (DF), caracteriza as úlceras de perna e as abordagens terapêuticas utilizadas. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), sob o CAAE nº 47456021.4.0000.5526. Participaram do estudo 55 adultos e crianças com diagnóstico de DF, acompanhados pelo Centro de Referência em Doença Falciforme de Itabuna (CERDOFI) e pelo Programa de Doença Falciforme de Ilhéus (PRODOFI). Entre os participantes, 13 apresentavam úlceras de perna, enquanto 42 não possuíam até o momento da pesquisa. Entre os pacientes com úlceras, observou-se predomínio do sexo masculino, correspondente a 60% dos casos. A idade variou entre 20 e 51 anos, indicando maior ocorrência entre adultos jovens e indivíduos de meia-idade. Todos os participantes se autodeclararam negros. Quanto à escolaridade, 60% possuíam formação entre o ensino fundamental II completo e o ensino médio incompleto. Em relação à situação ocupacional, todos relataram ausência de vínculo empregatício. Além disso, 60% apresentavam renda per capita de até um salário-mínimo, enquanto 40% relataram renda inferior a um salário mínimo, apontando vulnerabilidade socioeconômica. A idade ao diagnóstico apresentou ampla variação, desde os seis meses de vida até os 25 anos. Todos os pacientes relataram a ocorrência de crises vaso-oclusivas, sendo que 40% apresentaram oito ou mais episódios. A utilização de hidroxiureia foi relatada por 100% dos participantes avaliados. Quanto às características das úlceras de perna, 80% apresentavam lesões bilaterais, enquanto um paciente possuía lesão apenas no membro inferior esquerdo. O surgimento da primeira úlcera ocorreu precocemente, entre 9 e 20 anos, em 80% dos casos. Entre os possíveis fatores desencadeantes, 40% dos pacientes relataram coceira ou prurido e outros 40%, a formação de bolhas. As lesões apresentaram duração variável, entre um mês e 38 anos, fator de elevada cronicidade. 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Abstract
A anemia falciforme integra o grupo das doenças falciformes, condições hereditárias decorrentes de uma mutação no gene da β-globina, que resulta na substituição do ácido glutâmico pela valina. Essa alteração leva à formação da hemoglobina S (HbS), que, em condições de desoxigenação, pode polimerizar e levar a falcização das hemácias. Clinicamente, os pacientes apresentam anemia hemolítica crônica, crises dolorosas vaso-oclusivas, fadiga, suscetibilidade a infecções e outras complicações. O estudo objetiva analisar o perfil clínico e sociodemográfico de pacientes com doença falciforme (DF), caracteriza as úlceras de perna e as abordagens terapêuticas utilizadas. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), sob o CAAE nº 47456021.4.0000.5526. Participaram do estudo 55 adultos e crianças com diagnóstico de DF, acompanhados pelo Centro de Referência em Doença Falciforme de Itabuna (CERDOFI) e pelo Programa de Doença Falciforme de Ilhéus (PRODOFI). Entre os participantes, 13 apresentavam úlceras de perna, enquanto 42 não possuíam até o momento da pesquisa. Entre os pacientes com úlceras, observou-se predomínio do sexo masculino, correspondente a 60% dos casos. A idade variou entre 20 e 51 anos, indicando maior ocorrência entre adultos jovens e indivíduos de meia-idade. Todos os participantes se autodeclararam negros. Quanto à escolaridade, 60% possuíam formação entre o ensino fundamental II completo e o ensino médio incompleto. Em relação à situação ocupacional, todos relataram ausência de vínculo empregatício. Além disso, 60% apresentavam renda per capita de até um salário-mínimo, enquanto 40% relataram renda inferior a um salário mínimo, apontando vulnerabilidade socioeconômica. A idade ao diagnóstico apresentou ampla variação, desde os seis meses de vida até os 25 anos. Todos os pacientes relataram a ocorrência de crises vaso-oclusivas, sendo que 40% apresentaram oito ou mais episódios. A utilização de hidroxiureia foi relatada por 100% dos participantes avaliados. Quanto às características das úlceras de perna, 80% apresentavam lesões bilaterais, enquanto um paciente possuía lesão apenas no membro inferior esquerdo. O surgimento da primeira úlcera ocorreu precocemente, entre 9 e 20 anos, em 80% dos casos. Entre os possíveis fatores desencadeantes, 40% dos pacientes relataram coceira ou prurido e outros 40%, a formação de bolhas. As lesões apresentaram duração variável, entre um mês e 38 anos, fator de elevada cronicidade. Também foram observadas recorrências, com registro de até três episódios no mesmo membro. Em relação ao tratamento tópico, 60% dos pacientes utilizavam terapia compressiva. Antimicrobianos e antissépticos estavam presentes em 60% dos tratamentos, enquanto 40% utilizavam produtos com propriedades hidratantes e cicatrizantes. Outras abordagens, como alginato e papaína, também foram relatadas. Conclui-se que os participantes apresentavam elevado grau de vulnerabilidade socioeconômica, evidenciado pela ausência de vínculo empregatício, baixa renda per capita e reduzido nível de escolaridade. Tais fatores podem agravar as limitações físicas e psicossociais associadas à doença. Além disso, a persistência de crises dolorosas e episódios vaso-oclusivos, mesmo com o acompanhamento médico e tratamento contínuo, reforça a necessidade de assistência multidisciplinar e atualização dos protocolos terapêuticos destinados às pessoas com doença falciforme e úlceras de perna.
A anemia falciforme integra o grupo das doenças falciformes, condições hereditárias decorrentes de uma mutação no gene da β-globina, que resulta na substituição do ácido glutâmico pela valina. Essa alteração leva à formação da hemoglobina S (HbS), que, em condições de desoxigenação, pode polimerizar e levar a falcização das hemácias. Clinicamente, os pacientes apresentam anemia hemolítica crônica, crises dolorosas vaso-oclusivas, fadiga, suscetibilidade a infecções e outras complicações. O estudo objetiva analisar o perfil clínico e sociodemográfico de pacientes com doença falciforme (DF), caracteriza as úlceras de perna e as abordagens terapêuticas utilizadas. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), sob o CAAE nº 47456021.4.0000.5526. Participaram do estudo 55 adultos e crianças com diagnóstico de DF, acompanhados pelo Centro de Referência em Doença Falciforme de Itabuna (CERDOFI) e pelo Programa de Doença Falciforme de Ilhéus (PRODOFI). Entre os participantes, 13 apresentavam úlceras de perna, enquanto 42 não possuíam até o momento da pesquisa. Entre os pacientes com úlceras, observou-se predomínio do sexo masculino, correspondente a 60% dos casos. A idade variou entre 20 e 51 anos, indicando maior ocorrência entre adultos jovens e indivíduos de meia-idade. Todos os participantes se autodeclararam negros. Quanto à escolaridade, 60% possuíam formação entre o ensino fundamental II completo e o ensino médio incompleto. Em relação à situação ocupacional, todos relataram ausência de vínculo empregatício. Além disso, 60% apresentavam renda per capita de até um salário-mínimo, enquanto 40% relataram renda inferior a um salário mínimo, apontando vulnerabilidade socioeconômica. A idade ao diagnóstico apresentou ampla variação, desde os seis meses de vida até os 25 anos. Todos os pacientes relataram a ocorrência de crises vaso-oclusivas, sendo que 40% apresentaram oito ou mais episódios. A utilização de hidroxiureia foi relatada por 100% dos participantes avaliados. Quanto às características das úlceras de perna, 80% apresentavam lesões bilaterais, enquanto um paciente possuía lesão apenas no membro inferior esquerdo. O surgimento da primeira úlcera ocorreu precocemente, entre 9 e 20 anos, em 80% dos casos. Entre os possíveis fatores desencadeantes, 40% dos pacientes relataram coceira ou prurido e outros 40%, a formação de bolhas. As lesões apresentaram duração variável, entre um mês e 38 anos, fator de elevada cronicidade. Também foram observadas recorrências, com registro de até três episódios no mesmo membro. Em relação ao tratamento tópico, 60% dos pacientes utilizavam terapia compressiva. Antimicrobianos e antissépticos estavam presentes em 60% dos tratamentos, enquanto 40% utilizavam produtos com propriedades hidratantes e cicatrizantes. Outras abordagens, como alginato e papaína, também foram relatadas. Conclui-se que os participantes apresentavam elevado grau de vulnerabilidade socioeconômica, evidenciado pela ausência de vínculo empregatício, baixa renda per capita e reduzido nível de escolaridade. Tais fatores podem agravar as limitações físicas e psicossociais associadas à doença. Além disso, a persistência de crises dolorosas e episódios vaso-oclusivos, mesmo com o acompanhamento médico e tratamento contínuo, reforça a necessidade de assistência multidisciplinar e atualização dos protocolos terapêuticos destinados às pessoas com doença falciforme e úlceras de perna.