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Abstract
O ABC paulista, berço da industrialização fordista brasileira, alicerçou sua economia no setor automobilístico, químico, metalúrgico e construção civil. Essa dinamização industrial fomentou uma urbanização acelerada nas décadas de 1950, 1960 e 1970, cujo resultado foi um território marcado por desigualdades nas condições e acesso à moradia, infraestrutura, serviços urbanos, oportunidades de trabalho, saúde, educação, cultura e lazer. Desde 1980, a região sofre os impactos do processo de reestruturação produtiva, juntamente com a desconcentração industrial em curso no país. Pretende-se neste trabalho analisar tais impactos, considerando as alterações na organização do território e, sobretudo nas condições de deslocamentos de pessoas e mercadorias, atentando-se às políticas de mobilidade urbana, planejadas e implementadas. Para isso, foi realizada uma revisão bibliográfica, relacionada aos seguintes subtemas: reestruturação produtiva, desconcentração industrial e desindustrialização, alterações na organização estrutural do território e seus impactos nas condições de deslocamentos no Grande ABC; as características da mobilidade e os padrões de deslocamento na região e; os desdobramentos da política nacional de mobilidade urbana no Grande ABC, além de levantamento e análise de dados socioeconômicos e da mobilidade na região. Concluiu-se que a região vem passando nos últimos anos por transformações em sua organização territorial com implicações sobre suas condições de mobilidade, com a ampliação dos deslocamentos pendulares intra e inter-regionais, em que pese a elaboração de políticas regionais e locais para o enfrentamento destes desafios, como o plano regional e os municipais de mobilidade urbana, e para a construção de uma trajetória de desenvolvimento sustentável como preconizada pela Agenda 2030.