{"title":"A epistemologia pragmatista de John Dewey","authors":"Edna Magalhães do Nascimento","doi":"10.20396/rfe.v14i2.8668377","DOIUrl":null,"url":null,"abstract":" Dewey desenvolveu um programa doutrinário que visa mostrar como o conhecimento se funda na experiência. Essa é a dimensão científico-naturalista da sua obra. Nesse sentido, o seu projeto consiste numa rigorosa argumentação contra as explicações em que a experiência e a natureza são apresentadas com base em distinções arbitrárias. Na obra, Reconstruction in Philosophy [Reconstrução em Filosofia], Dewey desenvolveu seu projeto metafísico de dimensão historicista, propondo uma reconstrução para a filosofia. Em Experience and Nature [Experiência e Natureza], ele apresentou uma visada científica para a metafísica. Nessa obra, Dewey tenta pensar um sistema desenvolvido a partir da aplicação do método científico à filosofia tendo como base uma concepção filosófica da experiência. As concepções de Dewey acerca do conhecimento, do uso inteligente da razão e da natureza social da filosofia concorrem para a constituição de sua concepção de ciência. Nas duas obras fica evidente a sua crítica à noção tradicional de conhecimento como representação da realidade. Contra isso, Dewey passa a designar o conhecimento como um conjunto de “crenças” e “proposições” tomadas como garantias de usos ou assertividade garantida. Dewey se opõe à forma pela qual o problema epistemológico é formulado pela tradição, ou seja, a partir de uma posição realista ingênua no qual o conhecimento é visto como representação, desconsiderando o processo de conexão entre as coisas e entre o conhecedor e as coisas.\n ","PeriodicalId":114318,"journal":{"name":"Filosofia e Educação","volume":"61 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0000,"publicationDate":"2022-09-05","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":"0","resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":null,"PeriodicalName":"Filosofia e Educação","FirstCategoryId":"1085","ListUrlMain":"https://doi.org/10.20396/rfe.v14i2.8668377","RegionNum":0,"RegionCategory":null,"ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":null,"EPubDate":"","PubModel":"","JCR":"","JCRName":"","Score":null,"Total":0}
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Abstract
Dewey desenvolveu um programa doutrinário que visa mostrar como o conhecimento se funda na experiência. Essa é a dimensão científico-naturalista da sua obra. Nesse sentido, o seu projeto consiste numa rigorosa argumentação contra as explicações em que a experiência e a natureza são apresentadas com base em distinções arbitrárias. Na obra, Reconstruction in Philosophy [Reconstrução em Filosofia], Dewey desenvolveu seu projeto metafísico de dimensão historicista, propondo uma reconstrução para a filosofia. Em Experience and Nature [Experiência e Natureza], ele apresentou uma visada científica para a metafísica. Nessa obra, Dewey tenta pensar um sistema desenvolvido a partir da aplicação do método científico à filosofia tendo como base uma concepção filosófica da experiência. As concepções de Dewey acerca do conhecimento, do uso inteligente da razão e da natureza social da filosofia concorrem para a constituição de sua concepção de ciência. Nas duas obras fica evidente a sua crítica à noção tradicional de conhecimento como representação da realidade. Contra isso, Dewey passa a designar o conhecimento como um conjunto de “crenças” e “proposições” tomadas como garantias de usos ou assertividade garantida. Dewey se opõe à forma pela qual o problema epistemológico é formulado pela tradição, ou seja, a partir de uma posição realista ingênua no qual o conhecimento é visto como representação, desconsiderando o processo de conexão entre as coisas e entre o conhecedor e as coisas.