T. S. Passos, M. Almeida-Santos, Nuria Cordero-Ramos
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REFLEXÕES ACERCA DO PODER DE DECISÃO DA PESSOA TRANS SOBRE REALIZAR A CIRURGIA DE AFIRMAÇÃO DE GÊNERO
Trata-se de uma reflexão sobre os discursos médicos que descrevem as experiências ou regulamentam a cirurgia de afirmação de gênero (CAG). Para isso, trabalhou-se com os pressupostos teórico-metodológicos de análise do discurso foucaultiano. Foi utilizada como técnica de pesquisa a análise documental de artigos científicos, manuais e normas de saúde. Evidenciou-se que o discurso médico trata a experiência trans como algo que hegemonicamente necessita de “conserto” cirúrgico para melhoria da qualidade de vida. Não há dúvidas sobre a importância médica e social da alternativa cirúrgica para aqueles que a desejam, no entanto, questiona-se aqui a forma como “vende-se” a ideia do processo transexualizador como ideário de resolutividade ao fenômeno da transexualidade. Em alguns discursos, omite-se a ideia de que a expectativa de melhoria da disforia de gênero após CAG pode ser um processo frustrante. As avaliações após CAG ainda não trouxeram evidências homogêneas de melhorias significativas nos aspectos relacionados à qualidade de vida. Além disso, antes da publicação da resolução CFM 2.265/2019, os indivíduos não considerados pelo “gatekeeper” como “verdadeiramente” trans, eram excluídos desse processo. Foram encontrados discursos que reforçam a ideia de gênero hegemônico ao determinar que a pessoa “normal” é aquela que possui coerência entre sexo, gênero e sexualidade. Portanto, há um descompasso entre os avanços nas nomenclaturas e o discurso médico que ainda reforça a patologização da transexualidade, quando fundamenta ideais normativos binários.