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Os Salões da Pro Arte, organizados por Alberto Guignard, integraram brasileiros e alemães, modernistas e acadêmicos, comunistas e nacionalistas, etc. Sua politica cultural, baseada em exposições, publicações, cursos de línguas, bolsas de estudos, intercambio de artistas e cientistas, etc. Alcançando quase um milhar de associados, a Pro Arte se destacou muito dentre a Deutschtum nacional, o que atraiu a atenção das autoridades alemãs. Curiosamente, a perseguição do aparato repressor do Estado Novo, especialmente do DOPS, não impactou diretamente a Pro Arte, dado que esta era uma instituição cultural brasileira. Os relatos do DOPS contém informações desencontradas, erros grosseiros e todo tipo de especulação - sendo que os danos mais graves à associação se deram nas manchetes dos jornais. 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摘要
这篇文章讨论了自1933年底德国当局在巴西占领Pro Arte以来,Pro Arte是一个由艺术家和德国艺术“爱好者”组成的协会。Pro Arte成立于1931年,其主要创始人西奥多·休伯格(Theodor Heuberger)从1924年开始组织展览。在Pro Arte, Heuberger与德国人文和艺术领域的两家著名机构Deutsche Akademie munchen和Deutscher Werkbund建立了国际合作关系。由Alberto Guignard组织的Pro Arte展览汇集了巴西人和德国人、现代主义者和学者、共产主义者和民族主义者等。它的文化政策以展览、出版物、语言课程、奖学金、艺术家和科学家交流等为基础。在近1000名会员的支持下,Pro Arte在Deutschtum nacional中非常突出,这引起了德国当局的注意。奇怪的是,Estado Novo的镇压机构,特别是DOPS的迫害,并没有直接影响Pro Arte,因为这是一个巴西文化机构。DOPS的报道包含了错误的信息、严重的错误和各种各样的猜测——对该协会最严重的损害是头条新闻。通过Pro Arte在巴西的宣传和纳粹文化政策的回声是本文的主要对象。
Este artigo aborda as tensões que surgem na Pro Arte, associação de artistas e “amantes" das artes alemãs, a partir de sua tomada pelas autoridades alemãs no Brasil ao final de 1933. Após o Putsch, a associação passou a ser um centro de difusão de propaganda nazista, o que gerou reações tardias do aparato repressor do Estado Novo e da imprensa nacional após a declaração de Guerra aos países do Eixo em 1942. A trajetória da Pro Arte, fundada em 1931, fora precedida pela atuação de seu principal fundador, Theodor Heuberger, que organizava exposições desde 1924. Na Pro Arte, Heuberger tramou cooperações internacionais com a Deutsche Akademie München e a Deutscher Werkbund, duas instituições de prestígio no campo das humanidades e das artes na Alemanha. Os Salões da Pro Arte, organizados por Alberto Guignard, integraram brasileiros e alemães, modernistas e acadêmicos, comunistas e nacionalistas, etc. Sua politica cultural, baseada em exposições, publicações, cursos de línguas, bolsas de estudos, intercambio de artistas e cientistas, etc. Alcançando quase um milhar de associados, a Pro Arte se destacou muito dentre a Deutschtum nacional, o que atraiu a atenção das autoridades alemãs. Curiosamente, a perseguição do aparato repressor do Estado Novo, especialmente do DOPS, não impactou diretamente a Pro Arte, dado que esta era uma instituição cultural brasileira. Os relatos do DOPS contém informações desencontradas, erros grosseiros e todo tipo de especulação - sendo que os danos mais graves à associação se deram nas manchetes dos jornais. Os ecos da propaganda e da política cultural nazista no Brasil através da Pro Arte são o principal objeto desse artigo.