{"title":"伯南布哥的第12次庭院漫步","authors":"Elisa Victor Chaves da Silva","doi":"10.51359/2526-3781.2018.238795","DOIUrl":null,"url":null,"abstract":"“Contra a intolerância religiosa nós povos de terreiros saímos na rua de branco pela paz” essa foi umas das falas ditas pela Yalorixá em alto tom pelas ruas do Recife durante a 12ª Caminhada de Terreiros de Pernambuco. Pensando no registro da resistência das populações negras de Pernambuco no século atual vimos nas ruas a força do àse, palavra yourubá que possui dentre outros significados o poder de realização. O ensaio tem como intuito colocar o discurso da estética como função prática da livre expressão religiosa e política. As imagens não são meramente estéticas na função da beleza são imagens das quais possuem valor essencial dentro de cada Nação de Candomblé, cada indumentária, colares, roupas, cores, turbantes são ligados ao culto, à resistência. O fazer sentir, ouvir, ver e experenciar o caminhar das diversas gerações que vestidos de branco dançam e cantam para suas divindades nas ruas de Recife como forma de mostrar para a população, que a nação do Brasil é formada pela diversidade de crenças. Contra a intolerância de gênero, cor e religião a Caminhada de Terreiros de Pernambuco é a vivência explicita das crenças afro-brasileiras, que muitas vezes é reprimida de forma brutal. Ver jovens, crianças, velhos, gays, mulheres, homens cada um formando uma sociedade da qual muitas vezes não é reconhecida, mas que é de total importância em cada lócus sociais de comunidades, favelas no Recife. O povo preto se move em manifestação a favor dos direitos civis. Um caminhar de resistência assim como foi em Selma no EUA, como são os Filhos de Gandhi na Bahia, como é na Caminhada da Consciência Negra... O povo preto anda pela terra, àgó[i]! [i] “Àgò” – é uma contração de “Yàgò”, ou seja, dê espaço. 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