Ana Luiza Setti Reckziegel, Eduardo Ramón Palermo López
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Abstract
América Latina afora, experiências políticas indígenas, negras e camponesas vêm sendo conhecidas, nas últimas quatro décadas, como “autonomias”, a partir de uma tendência iniciada em países como Nicarágua e México, depois estendida ainda a Bolívia, Equador, entre outros. O marco zero da apropriação contemporânea do termo para o debate público no continente deu-se alguns anos após a Revolução Sandinista (1979), quando povos indígenas e afro-indígenas2 da costa atlântica da Nicarágua estiveram inicialmente aliados ao movimento armado de esquerda que tomara o país, derrubando o ditador Anastasio Somoza, último representante de uma ditadura que governara o país desde 1936. As reivindicações por autodeterminação indígena, contudo, represadas que estavam por séculos, emergiram com força. Após vários anos de conflitos e negociações, o resultado foi o acordo de 1987 que selou o estabelecimento de duas regiões autônomas na costa atlântica do país, abrangendo 56% do território nicaraguense (HANNUM, 1990, p. 203-25)3 .