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Abstract
Ao longo dos tempos, e em diferentes lugares, os seres humanos têm tentado explicar a origem do mundo e da vida através de histórias prodigiosas a que chamamos mitos fundadores. Este artigo analisa vários mitos de Yemayá, Oyá-Yansán e Ochún, que foram preservados nas religiões iorubás em Cuba e no Brasil, enfatizando o impacto destas narrativas sagradas na esfera sócio-política e no contexto dos nossos processos de libertação como mulheres negras. Se admitirmos a relevância sociológica e ritual do mito como história fundadora e fonte de legitimação das crenças e práticas colectivas, analisando o que nos dizem os mitos de algumas das divindades mais notáveis do panteão iorubá pode ser útil para teorizar onde, de acordo com as condições actuais, os itinerários que levam à emancipação, autonomia e liberdade das mulheres afro-descendentes nos podem levar.