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Abstract
Este estudo almeja analisar ontologicamente o fenômeno do bolsonarismo, buscando compreendê-lo em seus elementos mais determinantes. Com base na noção de ontologia (LUKÁCS, 2013), entendemos que o Modo de Produção Capitalista se encontra em um processo de crise estrutural, iniciado em 2008, que atinge todo o seu quadro de controle sociometabólico. A ampliação da precarização da vida da classe trabalhadora que agrava o quadro de pauperização material e espiritual da sociedade impele os sujeitos a uma condição permanente de insatisfação. Entretanto, ao passo que esta revolta é bastante difusa, reforçada por sua captura pela racionalidade neoliberal, o ideário conservador-irracionalista, como é o bolsonarismo, emerge como uma síntese possível, ainda que contraditória, da revolta dos sujeitos para com a sua vida e se consolida como uma reação do capital para retomar a direção intelecto-moral da sociedade, assim como, e, principalmente, da fomentar a acumulação de capital em níveis ainda maiores. Outrossim, a absorção do ideário de grande parte da classe trabalhadora e de suas organizações pelo capital a partir da ontologia pós-moderna restringe o campo das possibilidades de sua práxis política. Torna-se, então, decisivo para o futuro da humanidade, resgatar a ontologia para o campo da luta de classes de modo a apresentar um novo projeto societário estruturante capaz de disputar os “corações e mentes da classe trabalhadora”.