Rafael Agostini, Teo Weingrill Araujo, Mariana Luciano Afonso, Lucas Bronzatto Silveira
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Abstract
Resumo: Introdução: A pandemia escancarou as determinações de classe, raça e gênero nos processos saúde-doença-cuidado, afetando de modo muito mais dramático as periferias e, especialmente, as populações negras e indígenas. Ademais, colocou em destaque e amplificou uma postura negacionista ao mesmo tempo que gerou expectativas elevadas quanto ao papel das ciências biomédicas para o enfrentamento da pandemia no Brasil, apesar de a literatura ser contundente sobre o caráter imprescindível das Ciências Sociais e Humanas (CSH). Relato de experiência: Neste artigo, descrevemos criticamente a experiência docente em disciplinas de CSH em uma faculdade de Medicina ao longo do ano de 2020, enfatizando os múltiplos impactos produzidos pela Covid-19. Discussão: Além de apresentar como os temas caros às CSH são abordados nas disciplinas, nas suas ementas e nas matrizes pedagógicas, este texto discute as alterações e os percalços provocados pela necessidade de - para “estar em sala” no contexto da maior crise sanitária dos últimos cem anos - adaptar-se ao abalo da separação entre os mundos do trabalho e da casa e a convivência com os sentimentos pandêmicos de medo, luto e desalento que atingiram docentes e discentes. Conclusão: A pandemia trouxe para perto da realidade de estudantes e docentes temas caros ao âmbito das CSH, como a discussão sobre a determinação social do processo saúde-doença-cuidado e a reflexão sobre a quem servem tanto a ciência quanto a ideologia do obscurantismo que a nega. Na experiência que relatamos, utilizamo-nos da atualidade desses debates para nos aproximar da realidade dos estudantes, em um contexto em que o isolamento social e o ensino remoto tornaram as relações mais esgarçadas.