Mayara Nakiria Tavares da Rocha, D. Calheiros, R. Wyszomirska
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Abstract
Resumo: Introdução: O caminhar das escolas médicas em direção à transformação do modelo formativo tradicional em uma perspectiva inovadora e avançada de formação, inclusive no âmbito da saúde mental, vem sendo observado desde a implantação da Estratégia Saúde da Família (ESF). Objetivo: O presente estudo buscou compreender a formação médica inicial em saúde mental, sob a perspectiva do médico atuante na atenção primária à saúde (APS). Método: Para tanto, adotou-se uma abordagem qualitativa, de caráter exploratório, descritivo, na qual, por meio de entrevistas com médicos atuantes na APS de um município do Nordeste do Brasil, produziram-se dados, cujo corpus foi tratado com base na aplicação da análise temática de conteúdo. A coleta de dados do estudo ocorreu entre junho de 2020 e junho de 2021, quando os profissionais médicos atuantes na ESF municipal foram convidados a participar. Trata-se, portanto, de uma amostra intencional, não probabilística. Dos sete médicos atuantes na rede municipal de saúde em nível da ESF, cinco foram incluídos no estudo. Resultado: Os resultados do estudo apontam a formação médica em saúde mental ainda vinculada a uma visão biomédica, em que se valoriza o cenário hospitalar como espaço de práticas e se subutiliza a APS no desenvolvimento de competências e habilidades profissionais, produzindo lacunas que afetam a atuação médica no contexto do cuidado de saúde mental na APS. Os relatos evidenciam, ainda, deficiências na formação relacionadas à valorização de questões pertinentes à medicalização e à dificuldade em conceder autonomia no cuidado em saúde mental. Conclusão: A formação médica em saúde mental deve aproximar-se da realidade de atuação do médico generalista, a fim de prepará-lo para as demandas que enfrentará em seu cotidiano na APS.