Carolina Gobbato, Claines Kremer, Maria Carmen Silveira Barbosa
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Abstract
Este artigo apresenta reflexões metodológicas com foco em entrevistas, procedimento recorrente em pesquisas com abordagem qualitativa. A partir da experiência de uma pesquisa de doutorado sobre as relações entre Educação Infantil e Didática, discutem-se processos vivenciados nas entrevistas com quatro professores/pesquisadores brasileiros e dez italianos que participaram do estudo. O trabalho fundamenta-se na perspectiva de Sennett (2015a) sobre artesania, dialogando com compreensões teórico-metodológicas sobre o entrevistar como um movimento dialógico de abertura em um fazer artesanal, conforme propõem Mills (2009), Caramés Boada (2010) e Contreras Domingo e Lara Ferré (2010). As reflexões metodológicas organizam-se em dois eixos: o primeiro versa sobre a potência do encontro, do diálogo e do compartilhamento de ideias e saberes que pode acontecer na entrevista, destacando a importância da escuta de modo ético e respeitoso; o segundo discorre acerca da flexibilidade no processo de entrevistar e do quanto as entrevistas realizadas retroalimentam as próximas e, por consequência, redimensionam os rumos da investigação. Considera-se que o ato de entrevistar, tecido em um fazer artesanal, é uma experiência que pode ser formativa para o entrevistador e significativa para o entrevistado, pois no exercício dialógico de pesquisa há intercâmbio de ideias e saberes que promovem ressignificações. Ao entrevistar docentes/pesquisadores da Educação Infantil e da Didática, evidenciam-se as posições ocupadas pelos participantes da pesquisa e seus diferentes pontos de vista, colocando em pauta um tema que tem sido invisibilizado, movimentando pensamentos e fomentando o diálogo.