Marília Vasconcellos Agnesini, Fernando Afonso Marrengula, C. R. Paschoalato
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Abstract
A escassez de água é um problema de âmbito mundial, deste modo, técnicas como o reuso, que visam suprir essa falta, reduzem a demanda sobre os recursos hídricos, poupando grandes volumes de água potável da utilização para fins menos nobres, além de diminuírem a carga de efluente nos rios. Nesse contexto, foi proposta a aplicação da tecnologia de filtração direta descendente (FDD) em areia, como tratamento terciário ao efluente secundário de estação de tratamento de esgoto sanitário (ETE), com vista à obtenção de água de reuso direto. Dentre as principais vantagens dessa tecnologia estão o baixo custo, a facilidade operacional e a produção de água com qualidade suficiente para aplicação de fins menos nobres. Para isso, foi realizado monitoramento do efluente de ETE, localizado em um município do interior paulista, com a finalidade de avaliar a qualidade da água e garantir a adequação da aplicação da FDD como recurso tecnológico. Foram realizados ensaios de tratamento em jar-test com uso do coagulante policloreto de alumínio (PAC), seguidos de oxidação com cloro. O resultado do monitoramento do efluente da ETE apontou baixos valores de turbidez, com pouca variação no período de estudo, apresentando qualidade adequada para aplicação da FDD. A dosagem otimizada para o coagulante PAC foi de 15 mg L-1. Os ensaios de FDD seguidos de oxidação com cloro forneceu água de reuso com cor aparente de 20 uH; turbidez de 0,8 uT; pH de aproximadamente 7,5 e cloro residual livre de 1 mg L-1. Tais resultados atendem às recomendações de qualidade estabelecidas pela USEPA (2004) e NBR 13969 (ABNT, 1997). Pode-se concluir que a qualidade da água obtida pela aplicação da tecnologia de FDD, seguida de oxidação com cloro, atende à demanda de reuso urbano irrestrito para aplicações de uso menos nobre da água, tais como irrigação de jardins, lavagem de pisos e espaços públicos e armazenamento para combate de incêndio