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Abstract
Este artigo pretende discutir os processos de nomeação operados pela escrita contemporânea, especialmente, no trabalho de duas poetas, Paula Glenadel e Nathalie Quintane, em seus livros respectivamente, A fábrica do feminino (2008) e Chaussure (1997). Serão tomados em consideração nesta reflexão os gestos que formulam definições, aplicam atributos, criam tropismos e, simultaneamente, os desconstroem, na medida que colocam o próprio processo de nomeação em xeque nessa experiência de escrita. Com isso, se estabelece uma relação entre voz (querer dizer) e linguagem (ser obrigado a dizer) que implica o enfrentamento de uma das formulações mais radicais da poesia moderna, a saber, reelaborar a relação entre a escrita da poesia – do verso – e a produção de um pensamento que se mantenha ético. Esse processo de nomeação e renomeação será denominado aqui de teatralidades da linguagem.