Juliana Diniz Gutierres Borges, Maria Manuela Alves Garcia
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Abstract
O artigo investiga, do ponto vista da Teoria Política do Discurso, de Ernesto Laclau e Chantal Mouffe, as articulações discursivas de diferentes agentes e organizações que, no Brasil, disputaram hegemonia em torno da profissionalidade docente para a Educação Infantil no contexto de produção das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil – DCNEI (BRASIL, 2009) e da Base Nacional Comum Curricular para a Educação Infantil – BNCC/EI (BRASIL, 2018). Como estratégia de pesquisa, manejou-se com formações discursivas, fazendo emergir as contingencialidades que possibilitaram a constituição de certos discursos frente a um exterior antagônico. Argumenta-se que múltiplas formações discursivas acerca da infância, do ser e do agir docentes, deixaram rastros nesses documentos, ressaltando-se a precariedade dos sentidos que se estabilizaram, sendo, portanto, impossível a fixação de um sentido específico e último dessa docência e sua formação profissional, pela existência de outros enunciados que disputam a hegemonia, ameaçam e se antagonizam nos processos políticos. Aposta-se na descentralização dos sujeitos. Crianças e professoras de Educação Infantil existem através das relações que estabelecem entre si, sempre em contextos particulares. As identificações são construídas e reconstruídas em contextos específicos, mutáveis. Constituem-se em processos híbridos e justapostos, construídos de maneira dinâmica e fluida. Estudar as políticas curriculares a partir desse enfoque discursivo possibilitou deslocamentos de articulações de sentidos e a reconfiguração de modos instituídos de docência, desestabilizando estruturas tidas como estáveis.