Gabriel Brito de Moura Monteiro, Bruno Henrique Holanda Pessoa
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Abstract
Problema: Atualmente, o paradigma da produção de saúde é prodigalizado por uma miríade de interesses mercantis galanteadores do modelo biomédico, que supervaloriza o conhecimento científico moderno. Mesmo que seja desprestigiado pela soberania científica, cerca de 70% do uso popular das plantas medicinais é confirmado cientificamente, e esses saberes não institucionais são frequentes nas práticas cotidianas. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 80% da população de países em desenvolvimento utiliza-se de práticas tradicionais na atenção primária à saúde e, desse total, 85% fazem uso de plantas medicinais. No Brasil, 82% dos brasileiros usam produtos à base de plantas medicinais para cuidar da saúde. Perante este descompasso, a atenção primária à saúde destaca-se como espaço estratégico para adubar o terreno das práticas fitoterápicas. Metodologia: Trata-se de um estudo descritivo, qualitativo, do tipo relato de experiência, sobre o desenvolvimento de um jardim medicinal localizado numa Unidade de Saúde da Família do município de Recife, Pernambuco. Utilizou-se um registro sistemático das atividades por meio da confecção de um diário de campo com registro fotográfico, complementado por levantamento bibliográfico e pesquisa documental. Resultados: O projeto perpassou pelas etapas informacional, estrutural e de plantio, constelando vários saberes com base no espírito da multiprofissionalidade e da participação comunitária. Ao fim, os esforços culminaram na efetivação de um jardim medicinal, propiciando um espaço para a troca de conhecimentos e experiências. Conclusão: Conclui-se que a estruturação de um jardim medicinal no âmbito da atenção primária à saúde conclama um prodigioso potencial no fortalecimento dos princípios que norteiam esse nível de atenção, reposicionando o usuário no centro do modelo de cuidado e ampliando as opções terapêuticas eficazes e de baixo custo.