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Abstract
Esta época da Covid 19 parece oportuna ao estudo da poesia de perspectiva órfica, aquela que reconhece a perda das esperanças, mas que, paradoxalmente, estimula uma criatividade que torne aceitável a ideia insuportável da morte, essa desconhecida. Pretende-se por isso analisar aqui textos de dois autores exemplares nessa perspectiva: Aldir Blanc, poeta e compositor –lamentavelmente vitimado pela Covid 19, – e Fernando Pessoa, cuja melancolia transformou o eu poético em ‘puro terreno de experimentação do Eu” (AGAMBEN, 2008, p. 121-122) e que, em ‘Eros e Psiquê”, confirma sua perspectiva de que ‘Viver não é necessário, o que é necessário é criar”.