{"title":"APRESENTAÇÃO - Catástrofes, crises e respostas políticas e sociais","authors":"José Damião Rodrigues","doi":"10.5433/1984-3356.2021v14n27p287","DOIUrl":null,"url":null,"abstract":" Ao longo dos séculos, as sociedades humanas buscaram entender e explicar as manifestações violentas da natureza que se abatiam sobre elas sob as mais diversas formas (secas, chuvas intensas e tempestades, inundações, sismos, erupções, pragas, epidemias). Durante muito tempo, também, as explicações fornecidas estiveram integradas em cosmologias ou narrativas que correspondiam a tipos de crenças mágicas ou religiosas que, ao mesmo tempo que davam um sentido ao cosmos e procuravam aliviar a ansiedade das sociedades antigas face à sua vulnerabilidade, legitimavam uma determinada ordem política e social.Um dos tópicos que mais se evidencia na investigação conduzida neste âmbito é o das catástrofes naturais. Não se trata de pensar a história como catástrofe, como a entendia Walter Benjamin, mas de observar as catástrofes enquanto um “facto social total” (Marcel Mauss), na medida em que a sua ocorrência e os respectivos impactos afectam múltiplas dimensões das sociedades atingidas, revelando das mesmas aspectos que, em condições de normalidade, poderiam passar despercebidos.","PeriodicalId":42148,"journal":{"name":"Antiteses","volume":" ","pages":""},"PeriodicalIF":0.1000,"publicationDate":"2021-08-13","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":"0","resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":null,"PeriodicalName":"Antiteses","FirstCategoryId":"1085","ListUrlMain":"https://doi.org/10.5433/1984-3356.2021v14n27p287","RegionNum":0,"RegionCategory":null,"ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":null,"EPubDate":"","PubModel":"","JCR":"Q4","JCRName":"HISTORY","Score":null,"Total":0}
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Abstract
Ao longo dos séculos, as sociedades humanas buscaram entender e explicar as manifestações violentas da natureza que se abatiam sobre elas sob as mais diversas formas (secas, chuvas intensas e tempestades, inundações, sismos, erupções, pragas, epidemias). Durante muito tempo, também, as explicações fornecidas estiveram integradas em cosmologias ou narrativas que correspondiam a tipos de crenças mágicas ou religiosas que, ao mesmo tempo que davam um sentido ao cosmos e procuravam aliviar a ansiedade das sociedades antigas face à sua vulnerabilidade, legitimavam uma determinada ordem política e social.Um dos tópicos que mais se evidencia na investigação conduzida neste âmbito é o das catástrofes naturais. Não se trata de pensar a história como catástrofe, como a entendia Walter Benjamin, mas de observar as catástrofes enquanto um “facto social total” (Marcel Mauss), na medida em que a sua ocorrência e os respectivos impactos afectam múltiplas dimensões das sociedades atingidas, revelando das mesmas aspectos que, em condições de normalidade, poderiam passar despercebidos.