Para que «não se demore o resgate desta alma nos cárceres do Purgatório»: a Ordem Terceira de São Francisco do Recife e o cumprimento dos testamentos dos irmãos falecidos (Pernambuco, Brasil, 1701-1795)
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Abstract
O artigo analisa a atividade de satisfação das últimas vontades dos irmãos que haviam escolhido a Ordem Terceira de São Francisco do Recife como testamenteira ou herdeira dos seus bens. Para tanto, foram selecionados dois casos, dentre os fiéis que deixaram heranças mais importantes à administração da Ordem: os irmãos Antônio Fernandes de Matos (c. 1646-1701) e Luís Cardoso (c. 1655-1721). A partir da documentação da Capitania de Pernambuco do Arquivo Histórico Ultramarino de Lisboa, disponível on line, o texto busca discutir as demandas judiciais em que esteve envolvida a Ordem Terceira de São Francisco durante a administração dos legados testamentários desses irmãos. A dispersão das heranças acumuladas e as disputas com as autoridades da Coroa e com os herdeiros prolongaram durante décadas a administração das heranças outorgadas pelos irmãos em questão. O estudo pretende mostrar tanto as dificuldades como a importância das atividades da Ordem como testamenteira de ricos irmãos falecidos, tema pouco analisado pela historiografia dedicada às associações de irmãos terceiros.