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Abstract
No texto “Após a tragédia”, Jean-Luc Nancy diz que toda a história do Ocidente é um “após a tragédia” e, para ele, a tragédia é a perda por excelência, cujo retorno ou substituição já não se pode esperar. O autor também faz uma breve referência ao luto: ao tratar dos usos atuais da palavra “tragédia” para se referir à situação específica que sucede uma catástrofe, Nancy afirma que a tragédia evoca para nós uma situação na qual o luto não é possível ou torna-se infinito. Além disso, o autor faz uma conexão entre tragédia e democracia, apontando que não importa que reformas esta tente fazer, ela não se dará enquanto lhe faltar aquela. Nesse sentido, gostaríamos de pensar o luto como uma perda da modernidade, em relação com o qual também está a democracia e suas falhas, de forma que, nos esforços para a recuperação da tragédia, deve-se incluir também um esforço pela retomada do direito ao luto (e, consequentemente, à democracia). Para isso, será levada em consideração a peça Antígona, de Sófocles, a partir da reinvindicação de Antígona pelo sepultamento do irmão, e também a versão de Brecht da mesma peça, em que a suspensão da cena será pensada como a suspensão do luto. Nessa lógica, a filósofa Judith Butler também será evocada, ao afirmar que é o caráter de ser ou não enlutável que confere valor a uma vida, de forma que privar alguém do luto público significa também privá-lo da vida, ao considerá-la de menor valor.