Bruce Albert, Leonardo Viana Braga, C. Aragon, D. Gallois
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Abstract
A noção de “antropologia aplicada” detém uma má reputação entre os antropólogos franceses, especialmente entre os que trabalham com povos minoritários. Na França, a bibliografia sobre o tema se limita à obra de Roger Bastide (1971), que discute, principalmente, teses de autores americanos e latino-americanos. Portanto, procurarei, em primeiro lugar, identificar os contextos históricos e políticos dessa relutância que, em sua maior parte, remetem à gênese inglesa e americana da applied anthropology dos anos 1930 a 1940. Este contraponto anglo-saxão me permitirá, então, seguir com um breve panorama histórico da abordagem francesa no que toca à intervenção antropológica em situações minoritárias. Em seguida, passarei ao quadro global em que este problema se coloca atualmente: o do debate mundial sobre as relações entre “povos autóctones” e desenvolvimento, um debate aberto desde o final da década de 1960 pelas Organizações Não-Governamentais (ONGs) formadas por esses “povos autóctones” e por associações que apoiam suas reivindicações identitárias e territoriais. Por fim, rejeitando a oposição tanto convencional quanto inconsistente entre antropologia fundamental e “pesquisa aplicada”6, terminarei este texto evocando as consequências heurísticas de uma possível interdependência, dentro da antropologia das minorias, entre a pesquisa científica e a implicação social.