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Abstract
O artigo busca apontar explicações conjunturais e estruturais para o surgimento de três iniciativas multilaterais no tema da governança florestal, na ONU, em um curto espaço de tempo: a Declaração de Glasgow sobre Florestas e Uso da Terra, lançada na COP-26 do Clima, em 2021; a Parceria de Líderes para Florestas e Clima, anunciada na COP-27, em 2022; e a aliança Poder da Floresta para a Ação Climática, surgida também na COP-27. A Declaração de Glasgow postula, sobretudo, um aumento de investimentos em agricultura florestal sustentável e recebeu a assinatura de 140 países e da União Europeia. Por sua vez, a Parceria de Líderes e a aliança Poder da Floresta defendem maneiras diferentes de operacionalizar tais investimentos, sendo a primeira dominada por potências do Norte e a segunda, por países do Sul. O artigo interpreta estes movimentos à luz de entendimentos teóricos da ecologia política crítica e por meio da análise descritiva de conteúdo de documentos oficiais. Classifica-se a Parceria de Líderes como um esforço de green grabbing para atualizar um regime ecológico de acumulação capitalista dominado por potências ocidentais, ao passo que se entende a aliança Poder da Floresta como uma reação de países em desenvolvimento para se evitar novas formas de dependência econômica.