{"title":"“A flor do amadurecimento”:","authors":"Luís Felipe Rios","doi":"10.9771/cgd.v8i2.49549","DOIUrl":null,"url":null,"abstract":"O texto discute resultados de inquérito comportamental com 380 homens que fazem sexo com homens (HSH) e entrevistas narrativas com vinte dos respondentes do inquérito sobre experiências sexuais na infância. As primeiras experiências sexuais relatadas ocorreram na segunda infância e tinham o sentido de brincadeiras. Até os 12 anos, 46,8% dos respondentes relataram ter dado o primeiro beijo na boca, 46,3% realizado carícias mútuas (sarração) e 36,3% masturbação solitária (punheta). As práticas penetrativas (sexo oral e anal) tiveram menores frequências, concentrando-se por volta dos 12 anos. Nas narrativas, as práticas penetrativas estiveram relacionadas a um reposicionamento subjetivo, em que as crianças tinham mais consciência sobre os significados da sexualidade do mundo adulto, sentiam-se prontas corporal e subjetivamente (dominavam a malícia) para a realização do tesão com outros garotos, geralmente um amigo mais velho. A análise aponta para a centralidade das estilizações de gênero e de idade na formação de desejos e parcerias. Também chama atenção paras as investidas estigmatizantes da família, vizinhança, igreja e escola, cujo efeito é expresso no sentimento de confusão e produz uma variedade de cicatrizes subjetivas, como depressão, ideações e tentativas de suicídio. Situações que pedem robustas ações de garantia dos direitos sexuais das crianças com práticas homossexuais e transgêneras.","PeriodicalId":299788,"journal":{"name":"Cadernos de Gênero e Diversidade","volume":"30 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0000,"publicationDate":"2022-07-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":"0","resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":null,"PeriodicalName":"Cadernos de Gênero e Diversidade","FirstCategoryId":"1085","ListUrlMain":"https://doi.org/10.9771/cgd.v8i2.49549","RegionNum":0,"RegionCategory":null,"ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":null,"EPubDate":"","PubModel":"","JCR":"","JCRName":"","Score":null,"Total":0}
引用次数: 0
Abstract
O texto discute resultados de inquérito comportamental com 380 homens que fazem sexo com homens (HSH) e entrevistas narrativas com vinte dos respondentes do inquérito sobre experiências sexuais na infância. As primeiras experiências sexuais relatadas ocorreram na segunda infância e tinham o sentido de brincadeiras. Até os 12 anos, 46,8% dos respondentes relataram ter dado o primeiro beijo na boca, 46,3% realizado carícias mútuas (sarração) e 36,3% masturbação solitária (punheta). As práticas penetrativas (sexo oral e anal) tiveram menores frequências, concentrando-se por volta dos 12 anos. Nas narrativas, as práticas penetrativas estiveram relacionadas a um reposicionamento subjetivo, em que as crianças tinham mais consciência sobre os significados da sexualidade do mundo adulto, sentiam-se prontas corporal e subjetivamente (dominavam a malícia) para a realização do tesão com outros garotos, geralmente um amigo mais velho. A análise aponta para a centralidade das estilizações de gênero e de idade na formação de desejos e parcerias. Também chama atenção paras as investidas estigmatizantes da família, vizinhança, igreja e escola, cujo efeito é expresso no sentimento de confusão e produz uma variedade de cicatrizes subjetivas, como depressão, ideações e tentativas de suicídio. Situações que pedem robustas ações de garantia dos direitos sexuais das crianças com práticas homossexuais e transgêneras.