Pauliany Barreiros Cardoso, Carina Santos de Almeida
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Abstract
A arte coussiouar ou Kusiwa pertence ao povo Wajãpi e integra seu repertório cultural. Aparentemente circunscrita ao grafismo corporal, vem a expressar muito mais que padrões gráficos, como também a cosmovisão, as crenças e as práticas xamanísticas do povo através de narrativas orais. No início do século XXI ela foi considerada patrimônio da humanidade pela Unesco e tal fenômeno pareceu indicar um deslocamento da condição de “outro”, exótico e exógeno, para o reconhecimento da indianidade. Mas o processo de patrimonialização da arte Kusiwa revela, em essência, a resistência dos Wajãpi, da mesma forma que a apropriação de ferramentas do mundo contemporâneo para registrar e salvaguardar seu patrimônio imaterial. Assim, nesse artigo partimos dos relatos etnográficos de viajantes oitocentistas para adentrar à história do tempo presente, considerando que essa trajetória de reconhecimento da arte Coussiouar não se traduz em um percurso linear e sem ressalvas, mas, sobretudo, em um enfrentamento contemporâneo epistêmico de alteridade, poder e de patrimonialização das diferenças.