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Abstract
Os registros feitos desde longínquas eras têm tido sua conservabilidade sujeita a riscos intrínsecos aos materiais e técnicas empregados em sua feitura e a fatores extrínsecos, de ordem ambiental, política, cultural, econômica e tecnológica. Além de seu uso contribuir para acelerar os processos de desorganização, de decaimento, de desordem, próprios de tudo que existe. Se conservar é ato de intervenção humana, o seu contrário (desconservar) ocorre naturalmente, pelo simples passar do tempo, embora a ação e a inação do homem costumem contribuir para isso. A manutenção deficiente dos lugares de abrigo dos documentos é um dos fatores que contribuem para sua mais rápida desconservação. Em levantamento feito de fevereiro de 1880 a março de 2017, foram identificados 77 incêndios e 21 alagamentos em bibliotecas e arquivos, com graus variados de perdas. Práticas de conservação exigem mecanismos de cooperação, intercâmbio e definição de responsabilidades em âmbito local, regional e nacional. Da lavagem do papel à digitalização de textos, passando pela microfilmagem, o histórico das técnicas de conservação mostra que seu emprego nem sempre adotou as cautelas necessárias, às vezes contribuindo para a perda ou mutilação dos documentos. A desconservação pode ser consequência ainda da repressão de ideias, de furtos e roubos e da ocultação/destruição de documentos em casos de ilícitos, o que atinge principalmente os arquivos. A conservação, tanto em seus aspectos técnicos quanto culturais, políticos e econômicos, deve fazer parte de uma política de Estado para preservação do patrimônio cultural nacional.