SABERES DA TRADIÇÃO: RELATOS ETNOGRÁFICOS DE VAQUEIROS SOBRE O USO DE RECURSOS NATURAIS NO TRATAMENTO DE AFECÇÕES DECORRENTES DA “PEGA DE BOI”, AGRESTE PERNAMBUCANO – BRASIL
{"title":"SABERES DA TRADIÇÃO: RELATOS ETNOGRÁFICOS DE VAQUEIROS SOBRE O USO DE RECURSOS NATURAIS NO TRATAMENTO DE AFECÇÕES DECORRENTES DA “PEGA DE BOI”, AGRESTE PERNAMBUCANO – BRASIL","authors":"Letícia Barbosa Queiroz, K. Luna, É. Oliveira","doi":"10.18542/ETHNOSCIENTIA.V5I1.10292","DOIUrl":null,"url":null,"abstract":"A figura do vaqueiro, cantada em verso e prosa, representa para além da tradição um ícone da conquista dos sertões nordestinos. Homem forte que desbravou as áridas terras e vegetação da caatinga à procura do gado que se perdia nos sertões. Associada à figura do vaqueiro, tem-se as competições de vaquejadas, práticas culturais destacadas na região Nordeste do Brasil. Tais práticas se modificaram ao longo do tempo, contudo, o vaqueiro ainda representa esta identidade para a região. Considerando abordagens etnográficas, objetivou-se com este estudo identificar no saber de vaqueiros quais recursos foram e são normalmente utilizados para tratamento dos animais e dos próprios vaqueiros quando estes sofrem lesões ao se exporem à vegetação xerófita e com espinhos. A técnica aplicada foi a de entrevistas abertas e livres, em que os atores sociais tiveram liberdade em expressar sua vida no campo, aplicando-se posteriormente um questionário, utilizado com a finalidade de coletar dados sociais dos entrevistados. Os resultados apresentados revelaram que os vaqueiros têm um saber apreendido à medida em que exercem seus ofícios e fazem uso de plantas, animais e outros recursos para tratar suas lesões, bem como dos animais que se machucam durante a pega do boi. Entre as plantas mais citadas, destacam-se: Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir (jurema-preta) e Pilosocereus gounellei (A. Webwr. ex K. Schum.) Bly. ex Rowl. (alastrado). A banha de Rhinella jimi (Stevaux, 2002), “sapo cururu”, é citada como cicatrizante pelos entrevistados. Com base na abordagem da pesquisa é possível perceber que o ofício de vaqueiro ainda é muito presente e bastante representativo região Nordeste do Brasil.","PeriodicalId":154983,"journal":{"name":"Ethnoscientia - Brazilian Journal of Ethnobiology and Ethnoecology","volume":"14 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0000,"publicationDate":"2020-09-17","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":"0","resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":null,"PeriodicalName":"Ethnoscientia - Brazilian Journal of Ethnobiology and Ethnoecology","FirstCategoryId":"1085","ListUrlMain":"https://doi.org/10.18542/ETHNOSCIENTIA.V5I1.10292","RegionNum":0,"RegionCategory":null,"ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":null,"EPubDate":"","PubModel":"","JCR":"","JCRName":"","Score":null,"Total":0}
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Abstract
A figura do vaqueiro, cantada em verso e prosa, representa para além da tradição um ícone da conquista dos sertões nordestinos. Homem forte que desbravou as áridas terras e vegetação da caatinga à procura do gado que se perdia nos sertões. Associada à figura do vaqueiro, tem-se as competições de vaquejadas, práticas culturais destacadas na região Nordeste do Brasil. Tais práticas se modificaram ao longo do tempo, contudo, o vaqueiro ainda representa esta identidade para a região. Considerando abordagens etnográficas, objetivou-se com este estudo identificar no saber de vaqueiros quais recursos foram e são normalmente utilizados para tratamento dos animais e dos próprios vaqueiros quando estes sofrem lesões ao se exporem à vegetação xerófita e com espinhos. A técnica aplicada foi a de entrevistas abertas e livres, em que os atores sociais tiveram liberdade em expressar sua vida no campo, aplicando-se posteriormente um questionário, utilizado com a finalidade de coletar dados sociais dos entrevistados. Os resultados apresentados revelaram que os vaqueiros têm um saber apreendido à medida em que exercem seus ofícios e fazem uso de plantas, animais e outros recursos para tratar suas lesões, bem como dos animais que se machucam durante a pega do boi. Entre as plantas mais citadas, destacam-se: Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir (jurema-preta) e Pilosocereus gounellei (A. Webwr. ex K. Schum.) Bly. ex Rowl. (alastrado). A banha de Rhinella jimi (Stevaux, 2002), “sapo cururu”, é citada como cicatrizante pelos entrevistados. Com base na abordagem da pesquisa é possível perceber que o ofício de vaqueiro ainda é muito presente e bastante representativo região Nordeste do Brasil.