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Abstract
O objetivo deste artigo é discutir como a linguística brasileira poderia se beneficiar se se aproximasse do espírito dos ensinamentos de Franz Boas. Nascida sob a influência do estruturalismo europeu do Círculo Linguístico de Praga, a linguística brasileira, em primeiro lugar, tardou a reconhecer a riqueza de línguas nativas brasileiras que tinha a seu dispor e a se preocupar com sua descrição. Em segundo lugar, ela se desenvolveu a partir de um viés que buscava afastá-la de outras ciências, isolando a língua da ecologia sócio-histórico-cultural em que ela vive. Ao seguir o espírito de Boas, a linguística brasileira poderia começar a focalizar o estudo da semiose que ocorre nas interações humanas, como parte de atividades vividas por seres humanos reais e inseridos num mundo de práticas que não se limitam à linguagem, mas que envolvem toda a riqueza de seu entorno.