A solidão dos corpos negros no espaço academico

Renata Do Amaral Mesquita, Rosalia Cristina Andrade Silva
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Abstract

Historicamente, podemos dizer que a antropologia é uma disciplina conhecida por seu interesse em estudos de populações ditas “marginalizadas”. No Brasil, ela constituiu-se por um elevado número de pesquisas que levassem em consideração populações indígenas, negras, periféricas, camponesas, dentre outras. Durante praticamente todo século 20 o objetivo maior dos pesquisadores era explicar o Brasil, analisando as diferenças entre os tipos de populações existentes na cultura nacional. Diferente de outras nacionalidades, a antropologia brasileira buscou estudar o próprio país; o principal interesse era a formação da sociedade brasileira, levando em consideração o povo formador do Brasil e como constituir uma idéia de identidade nacional com a população já existente. Tanto as teorias em torno do conceito de inclusão da população negra nos espaços de poder quanto os discursos racistas (e suas diversas modalidades de existência) encontram no sistema escravocrata e nos aspectos da identidade cultural um ponto de convergência. É nesse entrelaçamento que podemos apontar as proximidades de contextos históricos com aplicabilidades de ações que hoje tornam possível a presença de pessoas negras em ambientes de poder, como por exemplo os espaços acadêmicos. Não é de hoje que se sabe que o sistema de cotas atribuiu para a sociedade brasileira um rico e grande debate em torno dos projetos desenvolvidos sobre a identidade do país. Essa discussão passou, historicamente, por diversos „níveis‟ até chegar aos dias atuais e é possível encontrarmos elementos que divergem e aproximam esses debates às perspectivas racialistas, tendo em vista que o acesso às instituições de ensino superior não significou a inclusão dos negros em toda sua totalidade. De acordo com o Programa de Combate ao Racismo Institucional – PCRI, o racismo institucional “acontece quando instituições e organizações fracassam em prover um serviço profissional e adequado às pessoas por causa de sua cor, cultura, origem racial ou étnica”. Dentre as várias formas de manifestações, o racismo se revela por meios de normas, práticas e comportamentos adotados no cotidiano de instituições e produz efeitos devastadores sobre aqueles que o recebem. Pensar nas infra-estruturas sócio/culturais e nos impactos das produções teóricas sobre as formas de como as sociedades se organiza e interage talvez seja o grande desafio dos intelectuais, e porque não dizer dos próprios antropólogos. Contudo, o que há de comum entre o sistema que coloca os negros em situação de solidão e os espaços de intelectualidade? O curta busca promover um debate acerca da solidão dos corpos negros no universo acadêmico. A narrativa aponta para as várias formas imbricadas pelo sistema de estabelecer o racismo, e de como a infraestrutura desse espaço, seja através dos moldes coloniais, ou subjetivos, subalterniza o corpo negro intelectual e político, de tal forma a não abarca-lo em sua totalidade. Dessa forma, o enredo foi estruturado com diálogos, relatos de corpos negros teóricos, bem como cenas ficcionais que retratam o viver negro na universidade. A produção do curta documentário surge então tendo a imagem como uma importante ferramenta de comunicação no campo da antropologia visual, no imaginário que pode aguçar e nos sentidos e reflexões que poderão existir no que tange à dimensão da infraestrutura e do afeto nos corpos negros teóricos.
黑人身体在学术空间中的孤独
从历史上看,我们可以说人类学是一门以研究所谓的“边缘化”人口而闻名的学科。在巴西,它是由大量的研究组成的,考虑到土著人口、黑人、边远地区、农民等。几乎在整个20世纪,研究人员的主要目标是通过分析民族文化中存在的人口类型之间的差异来解释巴西。与其他民族不同,巴西人类学试图研究自己的国家;主要的兴趣是巴西社会的形成,考虑到巴西的形成者,以及如何与现有的人口形成国家认同的想法。关于将黑人纳入权力空间的概念的理论和种族主义话语(及其不同的存在方式)都在奴隶制度和文化认同方面找到了共同点。正是在这种交织中,我们可以指出历史背景的邻近性和行动的适用性,使今天黑人在权力环境中的存在成为可能,例如学术空间。今天我们知道的配额分配给巴西丰富的社会和大讨论的项目属于国家的身份。从历史上看,这种讨论经历了不同的“层次”,直到今天,我们可以找到一些元素,使这些辩论偏离和接近种族主义的观点,考虑到进入高等教育机构并不意味着完全包括黑人。根据打击制度性种族主义项目(PCRI)的说法,制度性种族主义“发生在机构和组织因为肤色、文化、种族或民族出身而未能为人们提供专业和适当的服务时”。各种形式的示威游行中,种族主义是通过从日常行为准则,实际采用的机构和那些能产生破坏性影响。思考合伙人/文化和基础设施部理论的影响形式的社会组织如何反应,如何可能是知识分子的一大挑战,为什么不说自己的人类学家。然而,将黑人置于孤独境地的制度与知识分子的空间有什么共同之处呢?这部短片旨在在学术界引发一场关于黑人身体孤独的辩论。叙事指出了建立种族主义的系统所交织的各种方式,以及这个空间的基础设施,无论是通过殖民模式,还是主观模式,如何屈从于知识分子和政治黑人的身体,而不是完全拥抱它。这样,故事背景是结构化的对话、黑体理论研究者的报告,以及虚拟场景描述黑人的生活在大学。纪录片短片的制作将图像作为视觉人类学领域的重要交流工具,在想象中可以锐化,在理论黑体中可能存在的关于基础设施和情感维度的意义和反思中。
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