Mônica Guimarães Teixeira do Amaral, Kleber Galvão de Siqueira Junior
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Por uma epistemologia sul-americana com base nas culturas afro-brasileiras: um debate sobre o ensino culturalmente relevante nas escolas públicas de Ensino Fundamental
Boaventura Santos (2000, 2017) propoe a reinvencao da emancipacao social a partir de uma ecologia de saberes e de conceitos nao hegemonicos, definidas como epistemologias do sul, contrapondo-as as monoculturas do saber eurocentrado, visto como ineficaz para a superacao das condicoes sociais e economicas que oprimem grande parte da populacao mundial. Neste artigo, pretende-se tensionar alguns conceitos ligados a teoria critica, como a luta pelo reconhecimento das populacoes historicamente prejudicadas (HONNETH, 2009), aproximando-os do contexto educacional brasileiro, a luz de teorias afrocentradas. Com base na pesquisa de campo desenvolvida por meio de docencias compartilhadas com professoras de escolas do ensino fundamental publico de Sao Paulo-SP, propomo-nos a refletir sobre o potencial emancipatorio da pedagogia hip-hop, apresentada por Hill (2014), para o ensino de historia afro-brasileira e africana, como forma de repensar a pratica docente, bem como as estrategias de ensino, com um olhar atento para as marcas deixadas pela ideologia do embranquecimento (MUNANGA, 2004) no ensino brasileiro. Discorre-se ainda sobre a historia do movimento hip-hop e da genese dos raps socialmente engajados de maneira a evidenciar o processo de escolha de uma estrategia de ensino de historia da Africa e afro-brasileira culturalmente relevante a partir das letras de rap selecionadas.